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Em meio à pandemia, setor de eventos agoniza e cobra apoio

Publicada dia 26/08/2020 às 10:27:32

Renan Alves

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Diego Singolani


O isolamento social é a principal medida preventiva para conter a proliferação do novo coronavírus. Com isso, o segmento de eventos, que depende, em grande parte, da aglomeração de pessoas, sofreu drasticamente em todo o país. Um levantamento feito pelo Sebrae no mês de abril mostrou que a pandemia de Covid-19 afetou 98% do setor. Os primeiros a terem suas atividades paralisadas e provavelmente os últimos a vislumbrar alguma perspectiva de retorno, profissionais e empresas que vivem da produção de shows, festas e cerimoniais lutam para subsistir e se queixam da falta de apoio à categoria, tanto nos grandes centros, quanto nas pequenas cidades, como Santa Cruz do Rio Pardo.

O fotógrafo Emerson Luiz Gonçalves atua há 23 anos na cobertura de eventos sociais. Ele afirma que jamais enfrentou um cenário sequer parecido com o atual momento. “Meu trabalho foi totalmente afetado. Casamentos, festas, comemorações, festas infantis, enfim, todos os eventos agendados foram cancelados definitivamente ou, em alguns casos, prorrogados para uma data futura, com a esperança do fim da pandemia”, afirma.

 A crise decorrente do coronavírus afetou diretamente o orçamento familiar de Emerson, que teve de se readaptar à nova realidade. “Houve sim um grande prejuízo financeiro, pois trabalhamos e fazemos os gastos sempre pensando no dinheiro que vai entrar. Porém, eu e minha esposa sempre soubemos ter os pés no chão e vivemos uma vida sem ostentação. Agora, tivemos que viver numa economia ainda maior e reduzir totalmente os gastos”, declarou. “Para mim, o importante é conseguir passar por essa pandemia com saúde, sem me preocupar no dinheiro que deixei de ganhar. Acho que temos muito pela frente e Deus devolverá tudo da forma que merecemos”, diz o fotógrafo.

Laboratórios de revelação de fotos, encadernadores, floriculturas, buffet, salão de festas, músicos, cerimonialistas, são inúmeros os profissionais e empresas ligadas ao segmento de eventos que tentam superar a crise, a maioria sem apoio algum. Emerson, por exemplo, só contou com o auxílio emergencial do Governo Federal. “Meu sentimento é de tristeza, pois esse é o trabalho que escolhemos e fazemos com amor e alegria para que nossos clientes estejam satisfeitos. E aí, de repente, somos obrigados a interromper nosso ofício, que é o nosso único ganha pão”, diz Emerson.

O fotógrafo acredita que, devido ao perfil de Santa Cruz do Rio Pardo, onde as pessoas valorizam boas festas e capricham nos eventos, o mercado volte a ser como era antes. “Talvez depois do segundo semestre de 2021. Mas o sonho nunca acaba. Se acordamos e respiramos é porque estamos vivos. Então, vamos seguir firmes e sairemos mais fortes em muito em breve”, disse.

A empresária Regina Claudia da Silva Vieira, proprietária e decoradora do buffet Fábrica de Sonhos, sentiu imediatamente o impacto da quarentena, já que o seu negócio depende necessariamente da aglomeração de pessoas em um espaço fechado. Há 10 anos no ramo, Tuca, como é conhecida, diz se lembrar das dificuldades enfrentadas em 2015, com altas taxas de desemprego e inflação, mas nada que se compare aos efeitos da pandemia. “O rombo é imenso, pois estou desde o dia 23 de março com o estabelecimento fechado. Não tenho a opção de delivery. No início, estava até decorando nas casas dos clientes que haviam fechado festa em 2020, mas as dificuldades pegaram a todos e novamente os gastos não essenciais foram cortados pelas famílias, afetando, novamente, o setor de eventos”, afirma. 

A empresária diz que é muito difícil não poder passar uma perspectiva positiva aos funcionários e fornecedores que dependem do seu buffet. “É um sentimento difícil de expressar, pois ao mesmo tempo em que me vejo em uma tristeza e em um desgaste emocional terrível, agradeço por não termos contraído o vírus”, disse Tuca. A decoradora critica a falta de amparo ao setor. “A impressão que tenho é que festas nunca existiram e que pessoas que vivem dessa atividade não precisam comer, pagar contas e outras coisas que todo cidadão faz”, questiona. “O futuro com certeza será difícil financeiramente, mas o brasileiro não tem preguiça de trabalhar. A meu ver, vamos ter que começar do zero e esse período vai ficar como algo ruim que tivemos que passar, mas vencemos”, ponderou.

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