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Na esquina do Bar do Juju

Publicada dia 29/08/2020 às 09:55:21

Arquivo Pessoal

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Diego Singolani


Meio século dedicado ao ofício de dono de bar não é para qualquer um. A impressionante marca conquistada por João Eleodoro dos Santos Filho, o Juju, se deve, em boa parte, pelo sucesso dos seus assados, que atravessa gerações. Se a gloriosa Portuguesa de Desportos já não lhe dá mais tantas alegrias, é no trabalho que Juju se realiza. Ele segue firme, na ativa, pilotando a máquina assadeira - a mesma, há 48 anos - que prepara o frango mais famoso da cidade.

Na segunda-feira, 10, Juju completa 74 anos idade. Casado, pai de dois filhos, avô de um neto, aposentado, ele já não depende exclusivamente do bar para viver. Mas está sempre por lá, desde 1978. O imóvel, localizado na esquina das ruas Major Gabriel Botelho e José Zacura, na Vila Sidéria, se tornou um ponto de referência na região. Entretanto, a  história do Bar do Juju começa antes e em outro endereço. No início dos anos 1970, foi na rua Euclides da Cunha, no local onde hoje funciona a alfaiataria de Jorge Araújo, que Juju inaugurou seu negócio. “Eu tinha uma oficina de consertos de sapato na época. Aí meu irmão falou do ponto, para montar um bar, e resolvemos alugar”, relembra. É nesse período em que a fama dos assados também começa a surgir. Pouco mais de um ano depois da inauguração, Juju e outros dois ilustres amigos e concorrentes - Galegão e Xisto - resolvem comprar as primeiras máquinas de assar frango de Santa Cruz do Rio Pardo. Eles foram os pioneiros da famigerada “tv de cachorro”. De acordo com Juju, o sucesso foi instantâneo e os frangos assados saiam de segunda à segunda. “Essa máquina é a mesma que eu uso até hoje. Troquei algumas peças, claro, mas a estrutura é original”, diz o comerciante. Alguns anos depois, o ponto foi vendido pelo proprietário e Juju reabriu no endereço em que está até hoje.

Nesse meio tempo, Juju chegou a passar em um concurso para trabalhar no INPS. Foi para São Paulo e, após três dias, sem conseguir uma transferência para o interior, desistiu da carreira pública. O bar parecia estar realmente em seu destino. No novo endereço, ao lado das máquinas Suzuki e de fábricas de sapato, o Bar do Juju viveu seu auge, com um movimento intenso da freguesia. “Começava a assar frango às 5h da manhã e ia parar às 15h. Por semana, a gente vendia 150 frangos e 100 caixas de cerveja”, relembra. “Na época da inflação foi quando mais vendemos. O pessoal gastava mais. Conseguíamos manter estoque e o preço”, diz Juju. O negócio sempre foi familiar. No início, eram os pais de Juju que o ajudavam. Depois, foram a esposa e os filhos, além de um grande amigo, o Barrinha. 

O tempo passou e a realidade do bairro mudou, principalmente com o declínio da indústria e a concorrência de pizzarias, lanchonetes e restaurantes. Porém, o Bar do Juju já havia conquistado uma clientela fiel, muitos que ainda frequentam o lugar. “Tenho freguês que vem aqui desde os 11 anos de idade”, diz. Sem falsa modéstia, Juju confirma que a fama dos seus assados se justifica. “Às vezes vou pescar, fecho uns 10 dias. Quando volto, o cliente fala que o filho não conseguiu comer outro frango. Não sou eu quem falo, mas os clientes dizem que é o melhor frango e a melhor costela também, que em outro lugar não é igual”. Mais do que o tempero característico e a técnica de assar, que Juju compartilha sem melindre, talvez a memória afetiva de quem cresceu comendo este sabor nos almoços em família ajude a explicar a longevidade dessa verdadeira instituição de Santa Cruz do Rio Pardo. Vida longa ao Bar do Juju!

Frango assado do Bar do Juju

* Não há uma quantidade exata dos ingredientes. Vai do gosto do comensal, ousadia.

Ingredientes

  • 1 frango inteiro;
  • Tempero do frango: alho, cebola, salsinha e sal moídos, tudo junto;
  • Salmoura: água, vinagre ou suco de limão, um pouco de óleo e um pouco de sal (cuidado para não exagerar, o frango já estará salgado).

Modo de preparo

  • Lave bem o frango em água corrente; esfregue o tempero por toda a pele do frango e também por dentro; coloque o frango para repousar em um recipiente com a salmoura, de preferência deixando-o coberto pelo líquido (O frango pode ficar na salmoura por três horas antes de assar; Se preferir apurar o sabor, pode deixar de um dia para o outro);
  • Assar em forno médio, sem papel alumínio ou saco, até dourar.
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