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Quase 40 mil brasileiros recebem diagnóstico de HIV e não iniciam tratamento

Publicada dia 02/01/2026 às 16:23:51

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O Dezembro Vermelho é dedicado à conscientização sobre o HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis, destacando a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acompanhamento contínuo, além da ampliação do acesso à informação e aos serviços de saúde.

Dados do Painel Integrado de Monitoramento do Cuidado do HIV e da Aids, do Ministério da Saúde, mostram crescimento no número de brasileiros acompanhados pelas redes de cuidado. Entre 2015 e 2025, o total passou de 624.112 para 1.061.707 pessoas. Desse grupo, cerca de 39.291 receberam o diagnóstico, mas não iniciaram tratamento. Em 2025, a maior parte dos pacientes em acompanhamento está entre 40 e 59 anos, seguida pelo grupo de 25 a 39 anos. Pessoas acima de 60 anos também representam parcela significativa, enquanto os números são menores entre jovens e adolescentes.

A infectologista da Santa Casa de Chavantes, Dra. Camila Real Pelloso, destaca que compreender esse cenário ajuda a direcionar as estratégias de cuidado. “O HIV está presente em diferentes faixas etárias, o que reforça a importância da prevenção e dos testes. Quanto mais cedo a infecção é identificada, maior a eficiência do tratamento e melhor a qualidade de vida”, afirma.

A transmissão ocorre principalmente por relações sexuais sem preservativo e pelo compartilhamento de materiais perfurocortantes, além da transmissão da mãe para o bebê quando não há acompanhamento adequado. A médica ressalta que informação correta é essencial para a adoção de medidas simples e eficazes de proteção.

Além do tratamento, a rede pública oferece estratégias de prevenção combinada, como a PrEP e a PEP, que reduzem significativamente as chances de infecção quando associadas ao diagnóstico precoce, ao uso de preservativos e ao acompanhamento clínico.

Os sintomas iniciais podem ser leves e semelhantes aos de uma gripe, o que faz com que muitas pessoas descubram o vírus apenas em testes de rotina. O diagnóstico é rápido, sigiloso e disponível nas unidades de saúde.

O tratamento gratuito pelo SUS permite reduzir a carga viral a níveis indetectáveis, impedindo a transmissão. A infectologista reforça que a adesão é fundamental e que o acolhimento faz diferença nesse processo.

A Santa Casa de Chavantes destaca que o atendimento humanizado é parte central do cuidado, oferecendo escuta ativa, orientação e acompanhamento multiprofissional para garantir segurança e confiança aos pacientes.