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Com pandemia, mulheres deixam preventivos de lado

Publicada dia 19/03/2021 às 12:49:58

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Thaís Balielo


Todos os anos, milhares de mulheres são incentivadas a fazerem seus check ups anuais. Muitas, paralisadas pelo medo de descobrirem algo ou pela correria do dia a dia, acabam postergando seus exames, mas com a pandemia a procura por exames de rotina ficou ainda menor. O médico ginecologista, Lucas Tosi, alerta que isso está reduzindo os diagnósticos precoces de doenças como cânceres.

“Essa é uma atitude que pode ser bastante comprometedora, afinal, a maioria das doenças quando detectadas em sua fase inicial possui maior probabilidade de cura. Com a pandemia percebi uma diferença das pacientes com queixas de períodos longos, como dor ou nódulos há quatro ou cinco meses, por exemplo. Algumas delas, infelizmente, já receberam diagnósticos desagradáveis”, conta.

Desde o início da pandemia Lucas relata que muitas pacientes desmarcam consultas por medo do Covid-19. “Sem contar que moramos em cidade pequena, então, levando em conta boatos, minha família e eu já pegamos coronavírus umas três vezes”, brinca. Tosi aproveita para enfatizar que ninguém da sua família ou funcionários da clínica foi contaminado.

Segundo pesquisas, cerca de 62% das mulheres abandonaram as consultas e os exames de rotina, como o Papanicolau e a mamografia. No grupo de risco (acima dos 60 anos), 73% aguardam o final da pandemia para agendarem seus atendimentos rotineiros. Segundo o diretor executivo da Fundação do Câncer, Luiz Augusto Maltoni, houve uma redução de 84% das mamografias na instituição durante a pandemia, quando comparado ao mesmo período em 2019. Naturalmente, o número de casos de câncer de mama em 2020 (segundo o INCA, estima-se 66.280 novos casos), estará subnotificado, como aponta Tosi.

Outra doença que não deve ser esquecida é o câncer de colo de útero. Segundo dados do INCA, o câncer de colo de útero é o terceiro com maior incidência entre as mulheres, logo atrás do câncer de mama. Ele pode ser detectado em estágios iniciais através do exame de Papanicolau. “Um exame praticamente indolor, relativamente barato e que pode ser realizado dentro de um consultório”, lembra o médico. Ele enfatiza ainda a recomendação da visita ao médico uma vez ao ano para a coleta do exame preventivo e avaliação da mamografia (acima dos 40 anos).

“Aos poucos, percebemos um retorno tímido aos consultórios e clínicas de exames. Houve toda uma reestruturação no atendimento a fim de oferecer mais segurança às pacientes. Estamos tomando todas as precauções. Seguimos todas as normas, inclusive espaçando mais as consultas para evitar aglomerações. Também cuidamos dos protocolos sanitários fora do ambiente médico. Todo cuidado é pouco e ainda não compreendemos alguns pormenores da doença”, pondera.

Lucas relatou que existe controvérsia sobre as consultas de prevenção entre os profissionais de saúde. “Enquanto alguns profissionais defendem a importância dos exames anuais de rastreamento, outros consideram que os riscos de infecção e transmissão são potencialmente letais e, por esse motivo, defendem com mais afinco o adiamento das avaliações periódicas. No entanto, é consenso que os cuidados para com o corpo, incluindo o autoexame das mamas, devem ser intensificados e pacientes que apresentam sintomas mamários ou ginecológicos devem procurar o especialista de confiança”, argumenta.

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