Ser pai na maturidade traz benefícios
Thaís Balielo
No domingo, 11 de agosto, é comemorado o Dia dos Pais. Com a diversidade da vida moderna, existem vários tipos de pais hoje. Têm os pais de “primeira viagem”, pais muito jovens, pais que são mães, mães que são pais, padrastos que são pais. Neste mundo, existem os pais-avós, são aqueles homens que, geralmente em um segundo relacionamento experimentam a paternidade após os 50 anos de idade. Os pais-avós foram unânimes em dizer que a paternidade na maturidade faz com que se dediquem mais a criança e curtam melhor os primeiros anos dos filhos.
O aposentado, Antônio Jadir Pereira, 70, tem três filhos do primeiro casamento, a mais velha tem 47 anos. São sete netos, três meninos e quatro meninas. Quando estava com 65 anos, resolveu ter outro bebê no segundo casamento. Então nasceu a Karine, a “raspa do tacho” e xodó da família.
Antônio garante que o amor para os filhos é o mesmo, não importa a idade, mas a filha mais nova ele consegue ter mais tempo para curtir devido à maturidade e a aposentadoria.
Quando Karine nasceu ele ainda trabalhava meio período, mas agora parou de trabalhar e vai só curtir a família. “Os outros filhos não tive tempo de brincar com eles, pois estava sempre trabalhando. Agora brinco mais. Faço as vontades dela. Brinco de esconde-esconde, pega-pega, de bola, na casinha de boneca, fazemos comidinha, pinto a unha dela, é uma festa”, conta.
A esposa Cristiane de Cássia Cuba Pereira, 38, conta que tem horas que parecem duas crianças brincando. “Ele é um superpai. Cuida muito bem. Ele brinca mesmo chegando cansado do serviço. É bem participativo. Na época dos outros filhos era caminhoneiro, então ficava longe de casa. Agora fica um pai meio avô. Deixa fazer muita coisa, a mãe que é a brava. Ele esconde as artes dela, fica com dó”, revela.
O comerciante, José Carlos Montagna, 59, teve a filha caçula Eloá quando estava com 57 anos. Ele tem dois filhos do primeiro casamento e dois netos de 7 e 6 anos. Além disso, no segundo casamento o casal já tinha uma filha de 13 anos, mas resolveram tentar mais um bebê.
“Estávamos querendo mais um filho, minha mulher sofreu dois abortos e resolvemos desistir, aí de repente engravidou. Foi gravidez de risco por conta de pressão alta. Quando a Eloá nasceu descobrimos que ela tem Síndrome de Down e tinha problema no coração que precisou operar. Fomos a São Paulo e ela operou com cerca de 1 ano e 4 meses. A cirurgia correu bem, mas ficou com sangue no pulmão e precisou de dreno. Rezamos muito e ela se recuperou em dois dias”, relata.
José Carlos conta que após a operação, a filha se recuperou, ganhou muito peso e se desenvolveu. “Ela fala e engatinha, agora o corpo responde, porque o coração está trabalhando corretamente. Foi um nervo grande que passamos. Agora está de alta”, diz.
O comerciante afirma que o amor por um filho é igual. “Amo muito todos os meus filhos. Mas claro que para ela tem que dar uma atenção a mais, ainda mais pelo problema no coração e por conta do Down. Já meus filhos eu não tenho lembrança de colocar na cama e brincar com eles. Com ela eu faço isso direto”, conta.
Laércio Teodoro da Silva, 51, teve uma filha com 48 anos. No primeiro casamento tem três filhos e teve o primeiro filho com 20 anos. “Quando a gente é mais jovem a cabeça é outra. Parece que a gente fica mais carinhoso, quer curtir mais. Meus primeiros filhos eu era caminhoneiro e não os vi neném. Eu praticamente chegava em casa para passear, porque os via muito pouco. Agora com a Maria Júlia é diferente. Convivo todo dia com ela. A gente brinca de tudo, eu troco, levo na escola, dou comida, me envolvo muito mais”, afirma.


