Bancos privados anunciam fechamento de agências na região
O possível encerramento das atividades da agência do Itaú em Santa Cruz do Rio Pardo, previsto para junho de 2026, tem gerado preocupação entre moradores, comerciantes e trabalhadores do setor bancário. Em entrevista ao Atual, o coordenador do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, Paulo Tonon, comentou os impactos da medida e criticou o movimento de fechamento de agências promovido por bancos privados no interior.
Segundo o sindicalista, o fechamento de unidades físicas tem ocorrido com frequência nos últimos anos. “Ganância e elitização, não existe outra desculpa real para o fechamento de agências que os bancos privados estão promovendo. Eles falam que não tem demanda, mas veja a fila que estava no próprio Itaú ontem na agência de Santa Cruz”, afirmou. Ele também questionou o contraste entre bancos privados e cooperativas financeiras. “Porque as cooperativas investem em agências físicas e os bancos privados não? Porque eles querem o lucro acima de um bom atendimento”, disse.
De acordo com Paulo Tonon, a saída da agência deve impactar diretamente moradores que dependem do atendimento presencial, principalmente aposentados e pessoas com dificuldade de acesso aos serviços digitais. “Afeta totalmente a população porque agora eles terão de se deslocar para Ourinhos pra serem atendidos, ou seja um gasto para os clientes, que em sua maioria já são mais fragilizados financeiramente”, declarou.
O sindicato também aponta reflexos para o comércio local. “O comércio é totalmente afetado, primeiro porque a agência bancária movimenta o seu redor, justamente porque é muito frequentada”, afirmou. Segundo ele, parte dos consumidores pode passar a utilizar serviços e realizar compras em outras cidades. “Se as pessoas irão até Ourinhos receberem seu pagamento, as chances delas gastarem no comércio de lá, parte do que receberem é enorme”, disse.
Sobre os trabalhadores, Paulo Tonon informou que os funcionários bancários da agência deverão ser transferidos para Ourinhos, enquanto trabalhadores terceirizados poderão perder seus empregos. “Todos os funcionários bancários serão reaproveitados em Ourinhos, mas os vigilantes, o pessoal da limpeza, os chamados terceirizados serão demitidos, ou seja, mais desemprego pra Santa Cruz”, afirmou.
O coordenador sindical também criticou a centralização dos serviços bancários em cidades maiores. “A prioridade dos bancos é aumentar o lucro às custas de um atendimento cada vez pior”, declarou. Segundo ele, situações semelhantes já ocorreram em Bauru, onde o fechamento de agências provocou aumento nas filas e dificuldades de estrutura para funcionários e clientes.
Bradesco também anuncia encerramento de unidade em Espírito Santo do Turvo
O cenário de desmonte do atendimento bancário presencial em Santa Cruz do Rio Pardo reflete uma tendência nacional e regional que tem mobilizado lideranças políticas e sindicais. Dados de uma reportagem publicada pela Folha de S. Paulo, em 22 de março, revelam que o total de unidades bancárias no país sofreu uma queda de 37% em dez anos, restando pouco mais de 14 mil agências em operação em todo o território brasileiro.
Além do fechamento da unidade do Itaú em Santa Cruz, a vizinha Espírito Santo do Turvo também recebeu comunicado oficial sobre o encerramento das atividades físicas do Bradesco.
O prefeito de Espírito Santo do Turvo, Gilbertinho Bertolino (PSD), confirmou que a instituição bancária prevê o fim do atendimento presencial para o dia 19 de junho. O gestor expressou apreensão quanto aos impactos econômicos e sociais, citando que o município já sofreu anteriormente com o fechamento do Banco Postal e de casas lotéricas. "A gente vem procurando uma reavaliação sobre a questão do fechamento, sobre a necessidade de manter a agência, o impacto econômico e social que pode causar", afirmou o prefeito.
Ele ressaltou que a unidade é fundamental para o pagamento da folha dos servidores municipais, movimentação de empresas agrícolas e atendimento a aposentados que dependem do serviço físico para evitar golpes virtuais.
Diante da decisão do banco privado, a administração municipal de Espírito Santo do Turvo informou que busca alternativas para suprir a demanda. "A gente, paralelamente, vem traçando também alternativas, caso isso realmente venha a acontecer, conversas e tratativas com outras instituições bancárias, com outras empresas que venham querer se estabelecer aqui, até mesmo em relação à lotérica", explicou Gilbertinho.
O prefeito destacou que a política de "enxugar atendimentos físicos" ignora as particularidades locais, onde a população e o comércio dependem diretamente da estrutura física para manter a qualidade da economia e o suporte social.
