< Voltar

Qual o limite entre brincadeira e assédio no trabalho?

Publicada dia 24/05/2021 às 10:34:07

qual-o-limite-entre-brincadeira-e-assedio-no-trabalho-

Thaís Balielo


Todos gostamos de elogios, mas dentro do trabalho é preciso cuidado, pois elogiar o profissional é uma coisa e elogiar aparência física já é outra. As mulheres são as que mais sofrem com assédio no trabalho, tanto sexual, quanto moral. O psicólogo Jhonatan Ferreira Gomes trabalhou na área de recrutamento para empresas e falou sobre o tema para o Atual.

Tanto o assédio moral, quanto o assédio sexual são configurados como comportamentos persecutórios que podem constranger uma pessoa ou grupo de pessoas, a principal diferença é que o sexual ocorre em relação ao sexo da pessoa, sendo as mulheres as mais afetadas. Pode ocorrer com cantadas indevidas no local de trabalho, elogios sem contexto, requisitar favores sexuais em troca de aumento de salário ou maiores benefícios, etc.

“Por conta das estruturas machistas da sociedade, a mulher é a que mais sofre com assédios sexuais no local de trabalho, constantemente perseguida simplesmente por ser mulher. Contudo, homens também podem passar por isso, mas não falam sobre o assunto, pois se sentem obrigados a achar isso bom”, diz.

O assédio sexual também pode gerar desconforto no local de trabalho, por conta da assediada ou assediado se sentirem perseguidos constantemente, o que prejudica a atenção e desempenho de forma geral, além de criar uma cultura de desvalorização do trabalho, já que o assediador deixa a entender que aquela pessoa está ali apenas pela sua aparência ou para potencial relação sexual.

Assédio Moral – É possível caracterizar o assédio moral no trabalho como uma série de comportamentos que constrangem e/ou limitam o colaborador. O padrão pode ser isolar o colaborador dos outros, cobranças excessivas e descabidas de seus superiores na organização e até mesmo orientações imprecisas sobre como fazer determinada atividade. “É importante dizer que esses comportamentos e tantos outros precisam ser repetitivos, persistentes e sistêmicos para serem considerados como assédio moral no trabalho. Casos isolados precisam ser analisados com cuidado”, pondera. 

Não é difícil perceber quando esse comportamento acontece. Se a pessoa for o patrão, responsável pelo local ou gerente, é preciso se atentar em como se comunicar com seus colaboradores. “Dê ordens diretas e precisas, orientações claras, abra espaço para que os colaboradores tirem dúvidas e, claro, se só você está rindo, não é engraçado”, alerta.

Jhonatan afirma que é preciso tomar cuidado com o assédio moral porque isso prejudica o próprio desenvolvimento da empresa. “O colaborador pode não fazer bem a sua função, seja como uma forma de represália pelo assédio ou pela somatização desse assédio em forma de estresse e uma pobre capacidade de concentração. Assédio moral no trabalho é um comportamento contra intuitivo que gera problemas para o fluxo do trabalho. É importante que os responsáveis invistam em treinamentos para seus colaboradores a fim de evitar esse comportamento”, argumenta.

O psicólogo lembra ainda que “toda pessoa que sofre qualquer tipo de assédio deve comunicar como se sente e deixar bem claro que esse comportamento é indevido no local de trabalho e proibido para com ela ou qualquer pessoa. Também se o comportamento continuar, as autoridades responsáveis devem ser informadas ou os meios legais devem ser acionados”.

Compartilhar nas redes sociais