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Pastoral da sobriedade promove “transformação” de ex-codependente química

Publicada dia 16/10/2020 às 10:36:21

Arquivo Pessoal

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Diego Singolani


Aflição, dor, angústia e culpa. Estes são alguns dos sintomas da codependência química, que afeta os familiares de usuários de drogas. A codependência pode levar a renúncia da própria vida, quando o medo e frustração dominam a pessoa por não conseguir recuperar o adicto. Em situações mais graves, a depressão se torna uma realidade, como no caso de Sullen Simone Estevão, 35. Ela foi casada com um dependente químico em recuperação. O relacionamento também fez Suellen adoecer. Porém, com o apoio da pastoral da sobriedade da Paróquia de São Benedito, em Santa Cruz do Rio Pardo, ela conseguiu se reerguer. Na quarta-feira, inclusive, encerrando a campanha Setembro Amarelo da paróquia, Suellen passou por uma transformação para valorizar a sua autoestima. 

De acordo com Karla Pinheiro Pedro, que coordena a pastoral junto com Valdir Pedro desde 2014, a ideia da transformação surgiu para o Setembro Amarelo, mês de valorização da vida e combate a depressão e suicídio. “Hoje é comum vivenciarmos todos os dias mulheres reféns da violência silenciosa, destruidora e desafiadora para as autoridades. Mulheres nunca sofreram com a violência como nos últimos anos. Mas estamos vendo mulheres arregaçando as mangas e dando a volta por cima, cansadas de serem mutiladas, mortas e terem suas famílias destruídas. O grito delas está sendo ouvido, porém, elas precisam dar o primeiro passo para essa mudança, resgatando sua autoestima e seu valor como filha, esposa e mulher”, afirma Karla. A transformação de Sullen carrega toda essa simbologia. Através da parceria de profissionais e lojas - Epdemia, Morena Flor, Val Calçados, Rose Rê, Mônica Campos Réplicas, Débora Figueira Cabeleireira, Nathalia Locali maquiadora e coach em visagismo - Suellen cortou o cabelo, fez maquiagem e ganhou um look completo.

Suelen, que é mãe de duas filhas, afirma que o apoio da pastoral, que a encaminhou para um psiquiatra, foi fundamental. “Hoje vivo uma vida equilibrada. Quero dizer a todas as mulheres que lutem para se realizar e digam não a depressão!”, declarou. A pastoral da sobriedade atende tanto o dependente químico, para encaminhá-lo a uma comunidade terapêutica, como também dá suporte a família, que geralmente se encontra doente pela convivência. “Tentamos auxiliá-los, encaminhando para psicólogos e psiquiatras, pois a família fica depressiva, assim como o dependente”, explica Karla. “A pastoral da sobriedade é a ação concreta da igreja na prevenção e recuperação da dependência química. É uma atuação da igreja católica diante de um problema da sociedade. Cerca de 25% da população brasileira está direta ou indiretamente ligado ao fenômeno das drogas”, declarou.

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