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Máscara transparente facilita compreensão da fala

Publicada dia 17/05/2021 às 15:18:23

Pedro Figueira

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Thaís Balielo


As máscaras transparentes ou com uma espécie de visor para deixar os lábios visíveis facilitam a compreensão da fala. Uma pesquisa recente aponta que o uso destas máscaras durante a comunicação aumenta em cerca de 10% a compreensão da fala tanto entre indivíduos com perda auditiva quanto entre pessoas com audição normal.

A pesquisa foi conduzida na Universidade do Texas, em Dallas (Estados Unidos), com a participação de Regina Tangerino, professora da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (FOB-USP), e apoio da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

A fonoaudióloga Joira Carrer explica que a leitura labial nada mais é do que a interpretação visual da comunicação por meio dos movimentos dos lábios e expressões faciais. “Para todos os falantes, mas principalmente para pessoas com deficiência auditiva, a leitura labial serve como um complemento da comunicação. As máscaras no geral acabam abafando os sons. Sendo assim, a comunicação fica mais fácil com o uso das máscaras transparentes, que oferecem a visão dos movimentos dos lábios e faciais”, disse.

Joira aponta outro problema de comunicação gerado pelas máscaras opacas. Como a fala fica abafada, a pessoa acaba tendo que falar mais alto para ser compreendido. Para quem trabalha com o público e fica o dia todo de máscara isso causa desconforto vocal. “Há um grande risco de lesões vocais. Muitas pessoas se queixam de desconforto vocal, pigarro, irritação na garganta, fala ofegante, além de tensão muscular na região cervical por conta do uso da mascara e o esforço vocal”, conta.

Porém, a fono cita algumas estratégias a serem utilizadas para evitarmos qualquer alteração vocal. “Falar mais devagar, articular bem as palavras, intensificar as expressões, bem como utilizar gestos com as mãos para complementar a fala, ficar atento a respiração, manter o tom natural da voz, beber muita água, ter uma boa noite de sono, manter uma alimentação saudável e praticar exercícios”, enumera.

Já no caso de o problema persistir por mais de 15 dias, é fundamental procurar um especialista otorrinolaringologista ou fonoaudiólogo para investigar o caso e oferecer o melhor tratamento.

A pesquisadora brasileira envolvida neste estudo defendeu na imprensa a produção de máscaras transparentes certificadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) seja estimulada no Brasil. Até o momento, somente estão disponíveis no país modelos feitos de vinil, máscaras de tecido caseiras, adaptadas com um visor transparente.

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