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Geladinho: do sabor da infância à gourmetização

Publicada dia 16/10/2020 às 14:11:24

Isadora Iaroseski

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Diego Singolani


Geladinho, gelinho, sacolé, din-din, chup-chup, juju, lili, os nomes podem variar, dependendo da região, mas se referem ao mesmo produto, o sorvete caseiro feito no saquinho plástico. Um clássico, que fez parte da infância das gerações mais experientes, e que voltou a ganhar força reinventado em versões exóticas e até gourmet. Para os dias escaldantes, o geladinho é uma excelente pedida para refrescar e também envolver as crianças no processo de fabricação, que é simples.

Não há fontes seguras sobre a origem da guloseima. A história que mais se vende é de que, durante a Segunda Guerra Mundial, os marinheiros norte-americanos consumiam alimentos processados que eram congelados em pequenos sacos plásticos. Os geladinhos, portanto, eram salgados e ricos em proteínas. Após a guerra, alguém teria tido a brilhante ideia de trazer o produto para o Brasil, onde o suco das frutas tropicais ganhou o protagonismo na iguaria. Ao longo dos anos, o sorvetinho caseiro evolui e teve diversas influências. Andréia Grotti, 46, do food truck Brigadeiro Colher de Pau, por exemplo, foi buscar inspiração nas paletas mexicanas. “Imaginei transformar os sabores dos meus brigadeiros em sacolés. Testei várias receitas durante quase um ano para chegar à minha receita padrão. Hoje, tenho disponível mais de 30 sabores, além dos etílicos e do fitness”, explica.

Andréia é economista de formação e doceira por opção. Desde a adolescência, já arriscava algumas receitas. Mais tarde, passou a fazer os doces para as festas dos filhos, depois para amigos, e uma coisa levou a outra até que, em 2014, o hobby virou profissão. Os sacolés goumet fazem sucesso no seu cardápio. “Todo estilo gourmet remete a algo mais elaborado e requintado. Com a onda da gourmetização, o sacolé não ficou de fora. Eles resgataram o sabor da infância, quando as mães faziam com Ki-suco ou leite com Nescau - a gente chupava o leite e ficava só o gelo no saquinho (risos)”, diz Andréia. “Já no sacolé gourmet isso não acontece porque os ingredientes têm como base leite, leite condensado e creme de leite, o que dá uma textura cremosa do começo ao fim. Lembrando que a escolha de matéria prima de qualidade e genuína faz toda a diferença”, afirma.

A variedade de sabores é proporcional a criatividade de quem produz os geladinhos. Andréia conta que começou com opções tradicionais, com chocolate, doce de leite, coco, paçoca e morango. “Depois vieram leite ninho com  Nutella, morango com Nutella, banana com Nutella, chocolate trufado e cappuccino. Sempre tem um ou outro cliente que sugere um sabor que acaba sendo incluído no cardápio, como é o caso do frutas vermelhas, maracujá trufado, leite ninho com morango e Romeu & Julieta”, declarou a doceira. Uma dica importante de Andréia é se atentar para a higiene e condições de armazenamento, para que os geladinhos possam durar bastante tempo. “É importante nunca assoprar o saquinho, pois pode contaminar o produto. Não congele os sacolés com comidas, principalmente carne, pois pode passar o gosto para a embalagem. O ideal é um freezer específico para eles. Um prazo de validade seguro é de 2 meses, sem comprometer sabor nem textura”, disse.

Receita

Sacolé Romeu & Julieta

Ingredientes:

  • Leite;
  • Leite condensado;
  • Cream cheese;
  • Queijo parmesão (ralado na hora);
  • Goiabada cremosa para lambuzar o saquinho;

Modo de preparo:

  • Bater todos os ingredientes no liquidificador por 5 minutos;
  • Deixar decantar por 30 minutos. (Enquanto espera, lambuze os saquinhos com a ajuda de uma manga de confeitar);
  • Retirar a espuma de cima, com cuidado, para não misturar novamente;
  • Coar;
  • Agora é só ensacar com a ajuda de um funil e levar para congelar;

Obs: Não se esqueça de deixar uns 5 cm sem encher para poder amarrar o saquinho.

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