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Enem deve escancarar desigualdades acentuadas na pandemia

Publicada dia 12/01/2021 às 10:39:29

Thaís Balielo

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Thaís Balielo


A desigualdade entre alunos de escolas particulares e públicas sempre existiu, mas devem ficar acentuadas após a pandemia e as aulas remotas. Segundo educadores, as consequências vão se estender por muito tempo, mas tendem a ser sentidas neste Enem. As provas impressas serão aplicadas nos dias 17 e 24 de janeiro. Já a versão digital, implantada pela primeira vez este ano, ocorrerá nos dias 31 de janeiro e 7 de fevereiro. As medidas de segurança adotadas em relação à pandemia do novo coronavírus serão as mesmas tanto no Enem impresso quanto no Enem digital. Haverá um número reduzido de estudantes por sala e os candidatos deverão usar máscaras todo o tempo de realização da prova.

A professora de história e história da arte, Mariana Miranda Salles, acredita que as notas dos alunos serão mais baixas que em outros anos, derrubando as notas de corte dos cursos concorridos, desta forma quem teve oportunidade e soube aproveitar terá vantagens.

“As escolas particulares não pararam, adaptaram-se ao contexto, e a preparação para o Enem seguiu um ritmo bem próximo do ensino presencial. A diferença está no próprio aluno, na disciplina de estudos, do acompanhamento das aulas, na frequência nas vídeo-aulas. Esse é o diferencial, quem conseguiu disciplinar-se e teve preparo não vai ter maiores problemas”, acredita.

Ela aponta que discrepância maior está no ensino público. “Num aspecto geral, a falta de acesso à internet, periféricos, e até mesmo novas responsabilidades que esses estudantes tiveram, aumentaram a diferença na educação. Muitos alunos tiveram que cuidar de suas famílias, suas casas, tiveram que procurar por bons sinais de internet por suas cidades, e é claro que isso impacta a qualidade da educação”, argumenta.

Para a educação pública reverter os impactos da pandemia, Mariana pondera ser muito difícil calcular quando isso ocorrerá. “Só iremos conseguir estabelecer metas quando a imunização estiver finalizada, quando todos estiverem em sala de aula, para aí então criar meios de recuperar conteúdos, decidir quais conteúdos deverão ser recuperados e então criar uma projeção”, diz.

O estudante da rede particular Matheus Arcoleze Marelli, 18, se inscreveu para o Enem impresso. Ele pretende cursar direito e, com uma boa nota do Enem, acredita ser possível ingressar em Universidades Estaduais, como a USP (São Paulo) e a UENP (Jacarezinho).

“Eu tive aula em escola particular, tendo aulas síncronas e um grande apoio. Foi uma atenção redobrada para conseguir plena concentração. Mas acho que a prova poderá ter um nível mais fácil, assim dizendo, tendo em vista que muitos não tiveram as oportunidades que tive. Infelizmente muitas escolas públicas não tiveram as aulas síncronas. Então aqueles que tiveram mais oportunidades e buscaram o destaque, tenderão a ser aprovados”, diz.

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