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Alta de combustíveis impacta no preço de tudo e pesa no bolso

Publicada dia 09/03/2021 às 15:26:01

Pedro Figueira

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Thaís Balielo


Nos últimos meses, os brasileiros têm sido surpreendidos com o aumento do preço dos combustíveis. A combinação de dólar alto e de aumento da cotação internacional do petróleo tem pesado no bolso no consumidor. Com uma rede distribuição de produtos baseada em rodovias, o aumento do frete acaba impactando também nos produtos de consumo e impactando ainda mais a renda do trabalhador. Com preços mais altos, até os postos de combustíveis saem perdendo, tanto pela diminuição de vendas quanto em diminuição da margem de lucro.

Proprietário do Posto Brasília, Brunno Campideli, explica que quanto maior o preço do combustível, menor vai ficando a margem dos postos. “Hoje a tarifa dos cartões estão se tornando um enorme empecilho pelo fato de representar, às vezes, quase que a metade ou mais da margem bruta do posto. Um absurdo tendo em vista todas as obrigações e riscos que o empresário assume ao operar uma revenda de combustíveis”, lamenta.

A tarifa dos cartões é cobrada de uma porcentagem do valor vendido, no entanto a margem do lucro do posto é estipulada em valores de centavos a cada litro e não em valores percentuais, portanto quando o valor do combustível é maior, a porcentagem da taxa do cartão diminui o lucro drasticamente.

Como o posto ganha em cima dos litros vendidos e não em porcentagem sobre o valor, a queda no consumo também tem um peso negativo grande. Como exemplo, Brunno citou um cliente que consome R$ 300 por mês em combustível e com a alta ele tenta economizar combustível e gasta os mesmos R$ 300, comprou um volume menor de combustível, portanto o posto teve a mesma entrada financeira, mas lucrou menos, pois foi um volume menor. “Como nosso ganho está diretamente ligado ao volume, ficamos com uma venda menor e uma rentabilidade comprometida. As despesas fixas aumentam (como tudo está subindo) o que aperta ainda mais o equilíbrio econômico e financeiro da empresa”, explica.

Sobre a diminuição do consumo de combustíveis, Brunno afirma que o reflexo maior, em um primeiro momento, é no abastecimento de veículos leves. “É o setor que sofre maior impacto por conta do orçamento mais limitado. O setor de veículos pesados não sente tanto no início, mas se o arroxo econômico persistir este também começa a diminuir. É uma cadeia como se fosse um dominó”, exemplifica.

Brunno avalia ainda que uma medida que o governo poderia tomar seria reduzir o percentual de etanol anidro na mistura com a gasolina, já que está com preço alto por conta da entressafra. “Outro fator complicador para o preço do etanol é que, por conta do bom momento do açúcar no mercado externo, as usinas optaram por produzir mais açúcar do que etanol, o que reduziu drasticamente a oferta e está causando uma pressão de alta”, explica.

Sobre a isenção de impostos federais sobre o diesel, por dois meses, Brunno espera que ajude, mas lembra que o imposto que mais pesa é o ICMS estadual e é calculado em porcentagem. “No meu ponto de vista o governador deveria abrir mão de uma parte da porcentagem devido ao aumento do valor agregado do produto. Com valores mais altos o governo está recebendo mais que o usual, portanto podia abaixar a alíquota sem ter prejuízo de arrecadação. O governo recebe mais a cada aumento, diferente da margem do posto que é em centavos fixo”, pondera.

Quem trabalha com transporte de pessoas ou produtos está sofrendo o impacto destes aumentos. Karla Cordeiro, 24, trabalha com entregas de moto há um ano e meio e disse que a situação se agrava a cada aumento. “Com R$ 20 reais eu rodava dois ou até três dias, agora consigo rodar um dia, no máximo um dia e meio. Tenho que abastecer todo dia praticamente”, reclama.

Mesmo antes destes aumentos, Karla relata que já estava difícil a situação de entregas e de mototáxi, pois o valor das corridas estão defasados, com os mesmos valores a mais de 6 anos. “É inviável cobrar uma corrida, por exemplo, do centro até um bairro distante por R$5. E é isso que eles querem pagar para gente. Com o combustível nesse valor nossas corridas deveriam subir pelo menos uns R$2”, opina.

Karla também trabalhava de mototáxi, mas permaneceu apenas com as entregas após a queda na procura durante a pandemia. “A gente continua trabalhando, mais temos que trabalhar o dobro para conseguir algum rendimento”, afirma.

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