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Profissionais estão tendo que se adaptarem como influenciadores

Publicada dia 13/09/2021 às 10:27:10

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Thaís Balielo


“Estudar 5 anos em uma Universidade para depois fazer dancinha no TikTok”, essa é uma frase, em tom de brincadeira, muito ouvida atualmente. A brincadeira ou memes com este tema existem, mas a realidade é que o mundo digital cada vez mais exige que os profissionais estejam presentes. Enquanto alguns caçoam, outros estão se especializando na área e conseguindo muito engajamento e clientes.

A psicóloga Lívia Maria Ortega, 33, por exemplo, estava afastada das redes sociais desde 2018, por uma decisão pessoal. No entanto, viu a necessidade de voltar ao meio digital profissionalmente. “Muitos pacientes comentavam que me procuravam nas redes e não encontravam. Senti que meu público precisava desta conexão. Precisava conhecer a minha forma de trabalho, minha linha de pensamento para se identificar e me procurar. Foi quando resolvi voltar à rede”, relata.

Sobre as brincadeiras em relação a estudar cinco anos para fazer dancinha na internet, Lívia não concorda muito com a comparação. “Realmente estudei cinco anos e continuo estudando. Mas as postagens, ou a dancinha, é uma forma divertida de passar conteúdo e disseminar conhecimento. O que está em jogo é a sua capacidade de se divertir com o que faz e divertir outras pessoas. Usar o entretenimento como uma forma de conscientização”, argumenta.

Lívia lembra que a psicologia é uma área pesada em que é preciso lidar com a dor o tempo todo. “Porque não passar o conhecimento de uma forma mais leve? Além disso, ajuda a fazer com que as pessoas entendam qual o real objetivo da terapia e que a terapia pode servir para ela, quebrando a barreira do preconceito”, acredita.

Irmãs e sócias em uma agência de marketing digital, a estudante de administração Julia Britto, 23, e a estudante de Ciências Sociais, Lavínea Britto, 20, acreditam muito no poder das mídias. “As mudanças estão aí visíveis, você escolhe se quer estar onde seu público está ou não. As pessoas passam o dia todo com os celulares nas mãos, todos os dias, em qualquer lugar que elas estiverem”, diz Júlia.

Lavínea lembra que os principais autônomos já estão nas redes sociais. “Se você é maior de 18 anos e já se iniciou no mercado de trabalho, seu perfil é profissional. Parta do princípio que todo perfil é profissional, se você é um profissional. Tudo que você posta ou deixa de postar nas redes sociais está promovendo sua imagem para outras pessoas”, pondera.

Júlia explica que não precisa ser 100% online ou 100% off, mas é saber balancear o suficiente para ser visto e lembrado nos dois lugares. Para Lavínea estar nas redes sociais é criar relacionamento, entreter e envolver as pessoas. “Se você não aprende a se comunicar pelas redes, você deixa de se relacionar com o seu potencial consumidor. O diferencial é entender como funciona a plataforma associada ao comportamento humano. É necessário ter engajamento e autoridade para gerar relacionamento e acabar convertendo em vendas”, afirma.

Recém-formada e iniciando a carreira de advogada, Isadora Saliba já criou um perfil para dar dicas de direito e auxiliar outros novos profissionais. “Hoje, o profissional que não está nas redes sociais não se faz presente. Tudo é digital. Por isso a importância de estarmos sempre nesse meio, demonstrando nossas expertises e conhecimentos para conquistar o cliente”, diz.

A arquiteta Leila Ferreira, 27, chegou a criar um perfil profissional quando se formou, mas após um ano decidiu agregar no perfil pessoal as postagens profissionais. “Achava que faltava mostrar quem é a pessoa por traz do profissional. A ideia foi sair do perfil profissional engessado e trazer a Leila arquiteta para minha vida pessoal. Esta migração está sendo muito interessante. Não vejo problema em fazer essa mistura, isso me aproxima ainda mais dos clientes e ajuda a conquistar novos”, afirma.

Ela sente muita diferença de retorno nos dias que posta e nos que não posta. “Quando estou postando a agenda lota. Então tenho que me dividir entre a produção de conteúdo, a produção do escritório, acompanhar obra, atender clientes. Busco trazer minha autoridade para o mundo da internet. As pessoas têm muitas dúvidas, então se você é profissional você tem conteúdo para dividir com as pessoas. Conhecimento dividido é cada vez mais absorvido”, argumenta.

O ginecologista Lucas Tosi, 32, está sempre publicando em mídia social. Ele afirma que o principal objetivo é passar informação de qualidade, além de acabar com achismos e mitos. Ele acredita que quem ganha com isso são os pacientes em poderem desfrutar uma boa fonte de informação. Além disso, mostrar seu perfil nas redes facilita para a pessoa escolher o médico que melhor se enquadra no que deseja. “Antigamente os pacientes conheciam o médico quando abriam a porta do consultório. Hoje elas conhecem os médicos antes, então escolhem aquele que faz sentido para ela”, pondera.

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