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Ipaussuense autodidata aprendeu sete línguas com a ajuda da internet

Publicada dia 08/02/2018 às 12:46:17

Carol Leme

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O estudante de Direito e morador de Ipaussu Renan Carlos Silvério, 23, descobriu ainda criança, ao ver as fitas legendadas que o pai alugava que pessoas falavam uma língua que ele não entendia. Com a curiosidade, veio o desejo de aprender mais sobre elas e, de fato, desde a infância ele vem se dedicando ao aprendizado.

Hoje, além do inglês avançado e o espanhol intermediário, o jovem ainda arrisca o básico no russo, italiano, alemão, mandarim e até o esperanto, uma língua universal, criada para que todos pudessem se comunicar em um só dialeto. “O inglês me despertou para os idiomas e comecei a aprender com cerca de oito anos, vendo filmes e músicas, mas cheguei a fazer curso. Já os demais, foi de maneira autodidata, pegando livros e apostilas na internet. Sabendo o inglês, fica bem mais fácil encontrar materiais relevantes na internet para aprender”, conta.

Aos 13 anos, em um bate-papo em inglês, Renan fez amizade com a chinesa Luna, que passou a conversar pela webcam, apresentar amigos e palavras do seu idioma, o mandarim. “Eles são muito abertos e interessados em conhecer a nossa cultura, então eu conversava muito com ela. Aprendi sobre a revolução chinesa, sua história e sua vida e então fui aprendendo sobre o chinês e me interessando ainda mais pela língua”, lembra.

Depois de uma pausa, o estudante retornou novamente, há alguns anos, a se aprofundar no mandarim, um dos dialetos mais falados na China e até ficou em segundo lugar em um concurso na internet do professor Cleber Souza, ganhando um curso completo online, que pode levá-lo ao nível intermediário da língua. “Não é fácil, mas não impossível e, com todo material que comprei e peguei na internet, como filmes, manuais e livros, vou aprendendo cada dia mais”, detalha.

Renan ainda utiliza uma rede social comum na China, em que as pessoas podem ter um perfil e fazer chamadas com os amigos, assim como no Facebook. O primeiro contato acontece em inglês e, depois, para praticar a pronúncia, ele passa a falar o mandarim. “É uma língua tonal, em que, aparentemente palavras iguais, significam coisas diferentes de acordo com o tom que se emprega. Os verbos não têm conjugação, então é relativamente simples. A maior dificuldade é a pronúncia e escrita, mas a mais difícil que aprendi foi o russo até agora”, observa.

Assim que terminar a faculdade de Direito, Renan quer buscar uma bolsa chinesa para pós-graduação no país, mas enquanto isso, faz contatos para conseguir alguma oportunidade de conhecer a China. “Também procuro um professor de chinês para aulas presenciais, para ir me aprofundando enquanto não aparecem oportunidades”, ressaltou.

A família de Renan sempre apoiou seu gosto pelos idiomas e sempre que dá, cumprimenta os amigos chineses de Renan, que geralmente fazem chamadas de vídeo nas madrugadas. “O que mais me encanta nos idiomas é que a língua mostra muito como é o povo, não são só letras e palavras, vai mais além. Aprende a cultura, modo de pensar, vê estruturas gramaticais diferentes e sua forma de pensamento, que é muito refletido na língua que fala. Por exemplo, saudade em outras línguas tem interpretações diferentes em inglês, chinês ou outras”, observa.

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