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Problema nos pés levam muitas crianças ao ortopedista

Publicada dia 28/01/2021 às 13:33:30

Pedro Figueira

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Thaís Balielo


A ortopedista Fernanda Sanson relatou que a alteração mais frequente e queixa comum em consultório é o pé plano, conhecido como pé chato. O pé torto congênito não é tão frequente, mas também é uma alteração comum, porém exige tratamento mais complexo.

Sobre o pé chato, Fernanda explicou que, a partir do exame físico, o pé plano pode ser classificado como pé plano flexível ou pé plano rígido. “Em geral os pés planos flexíveis são indolores e não necessitam de nenhum tratamento específico. Quando associado a algum sintoma doloroso podemos utilizar palmilhas com a única função de melhorar o sintoma, no entanto elas não são responsáveis pela formação do arco plantar”, diz.

Botas ortopédicas foram muito utilizadas no passado, mas estudos comprovam que elas não corrigem esse tipo de alteração.  “A formação do arco plantar ocorre de forma espontânea até aproximadamente os 10 anos de idade da criança. Indicamos andar descalço em diversos tipos de terrenos e em diversas texturas, como grama, terra e areia. Isso ajudar na formação e fortalecimento dos músculos dos pés”, aponta.

A profissional esclarece que existem casos em que a curva não se forma, mas isso é característica física e não uma doença. Se for indolor e sem alterações funcionais nada precisa ser feito. No entanto, existem os pés planos rígidos que costumam ser dolorosos e requerem algum tipo de tratamento dependendo da causa.

Ela explica que geralmente isso ocorre por fusões ósseas e, então, necessitam de tratamento cirúrgico. “Pés com grande desabamento medial podem prejudicar outras articulações como tornozelo e joelhos, mas isso não é o mais comum”, cita.

Pé torto

Ainda comum, porém menos frequente, é o pé torto congênito. Ele pode ser classificado em pé torto congênito posicional ou postural (assume uma postura viciosa pela posição no útero). Estes casos não necessitam de tratamento com gessos, apenas manipulações pelos próprios pais ou fisioterapeutas e o pé volta ao normal em poucos dias após o nascimento.

Já os casos classificados como pé torto congênito idiopático, pé torto congênito neurológico, e pé torto sindrômico necessitam de tratamento com gessos. Segundo Fernanda, hoje é preconizado o tratamento pelo método de Ponseti. São manipulações e trocas gessadas semanais, tenotomia do tendão calcâneo, e uso de ortese de abdução (23 horas por dia por 3 meses e segue 14 horas por dia até os 4 anos da criança)

O tratamento, quando iniciado precocemente e de forma correta, vai até aproximadamente 4 anos de idade. No entanto, o acompanhamento será pela vida toda para checar se não há recidivas. “A criança vai conseguir ter uma vida normal, anda, corre, brinca, faz esportes, sem sequela funcional na grande maioria dos casos tratados corretamente. Existem bailarinas profissionais e jogadores de futebol famosos que tiveram pé torto congênito”, revela.

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