Popular entre jovens, cigarros eletrônicos fazem mal à saúde
Mariana Pires
Muito comum entre adolescentes e jovens, os cigarros eletrônicos, conhecidos também como vaporizadores, não são tão inofensivos quanto se imagina. O otorrinolaringologista Mario Katsutani Sobrinho explica que, ao contrário dos cigarros convencionais, que queimam tabaco para gerar fumo, os cigarros eletrônicos vaporizam um líquido, que alguns chamam de e-líquido, que existe no mercado com mais de sete mil sabores. Esse líquido é comprado à parte em pequenos frascos, e, em sua maioria, é composto por nicotina, propilenoglicol (glicerol) e aromas. “Porém, uma grande variedade de outras substâncias já foi identificada, tais como estanho, chumbo, níquel crômio, nitrosaminas e compostos fenólicos, alguns destes com potencial cancerígeno”, alerta.
O médico ainda observa que estudos têm mostrado que o teor de nicotina atestado pelos fabricantes nem sempre é confiável, sendo frequentemente maior do que aquele indicado nos rótulos. “Há inclusive e-líquidos que dizem livres de nicotina, mas que ao serem analisados apresentaram nicotina no seu conteúdo”, completa.
Se por um lado parece ser verdade que o cigarro eletrônico é menos prejudicial que os cigarros convencionais, também é verídico que eles não são de forma alguma produtos isentos de riscos à saúde. Por ser um produto relativamente novo e que passou a receber atenção dos órgãos governamentais somente recentemente, não há ainda grandes estudos científicos sobre as consequências do seu uso prolongado. “Algumas das substâncias presentes no e-líquido são sabidamente nocivas, mas o vapor do cigarro eletrônico contém substâncias menos cancerígenas e tóxicas que o fumo do tabaco tradicional. No entanto, o consumo deste tipo de produto chama cada vez mais a discussão sobre o efeito da nicotina por si próprio, que independente da dependência associada é um perigo para a saúde. Por este motivo, o consumo em longo prazo do cigarro eletrônico é prejudicial e deve ser evitado”, declara.
Para Mario, a preocupação surge também em virtude da presença do propilenoglicol, substância que forma gazes tóxicos quando aquecido. Sem contar a nicotina, que é uma substância que além de altamente viciante, também causa danos à saúde.
Alguns fumantes de cigarros comuns tendem a experimentar os vaporizadores para auxiliar na redução gradativa do fumo, até pararem completamente. Neste caso, o otorrinolaringologista diz que a exposição tóxica acaba sendo menor, e traz vantagens como o não amarelamento dos dentes, custos menores, ausência de odores, e, aparentemente menor risco de doenças pulmonares, porém seu uso continua não sendo recomendado pela maioria das associações médicas como forma de tratamento do tabagismo. “Há opções mais seguras e com maior embasamento científico como fármacoso (antidepressivos), chicletes ou adesivos de nicotina. Além disso, um estudo mostrou que 77% dos usuários do cigarro eletrônico continuam a fumar os cigarros comuns, sem contar que não há conhecimento científico adequado sobre esse produto e a falsa sensação de segurança sobre ele pode trazer ainda mais viciados em nicotina”, antecipa.
O médico explica que a nicotina está relacionada, entre outros efeitos, a um aumento de eventos cardiovasculares, atraso no desenvolvimento fetal, alterações no desenvolvimento cerebral de jovens e adolescentes, além de causar dependência química, fora o alcatrão e mais de 4.700 substâncias contidas no cigarro. A nicotina é responsável por uma dependência ainda maior do que a de drogas como a cocaína e heroína. “A nicotina amarela os dentes, aumenta a pressão arterial e faz o depósito de gorduras nas paredes das artérias, formando coágulos que podem levar a infarto e derrame (AVC). Isso sem contar o envelhecimento precoce, a diminuição da capacidade física e respiratória levando a doenças pulmonares, redução do apetite e odor desagradável nos cabelos, roupas e hálito. A nicotina ainda causa edema nas pregas vocais, câncer de laringe e pulmão e até a morte”, conclui.
