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Coronavírus não é só “uma gripezinha”

Publicada dia 13/01/2021 às 10:33:36

Reprodução

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Thaís Balielo


Em Santa Cruz do Rio Pardo, até o fechamento desta edição, havia 1194 pacientes positivos da Covid-19 recuperados. No entanto, este número não quer dizer que as pessoas estão 100% recuperadas, apenas deixaram de transmitir a doença e tiveram alta, nos casos dos internados. Muitos pacientes, mesmo meses após a alta ainda sentem sintomas relacionados à doença.

O médico Jonas Jovanolli Filho que trabalha na linha de frente da doença relatou que muitos pacientes ainda estão se recuperando das sequelas da doença. “Tenho acompanhado pacientes após a alta. O que mais observo é a recuperação pulmonar e muscular que são as mais difíceis. Observo as sequelas mais variáveis como queda de cabelos nas mulheres, déficits neurológicos por neuropatia nos diabéticos, perda do olfato, dor de cabeça persistente por meses, também tivemos alguns pacientes com déficit cardíacos que regrediram e ainda diminuição da audição e visual”, relata.

Jonas explica que a doença tem duas fases distintas. A primeira que é a viral é quando o paciente é infectado pelo vírus e apresenta de 2 a 10 dias o início dos sintomas que pode ser febre, dor de cabeça, dores musculares, diarreia, perda do olfato, tosse inapetências. A segunda fase em média de 5 a 14 dias após a contaminação consiste em uma resposta do organismo do paciente inflamatória autoimune. Ou seja, os próprios anticorpos do paciente, em resposta ao vírus, produzirão inflamação e tromboembolismos agredindo principalmente os pulmões. Evoluindo para síndrome respiratória aguda grave que em uma porcentagem de 5% irá pra entubação e ventilação mecânica. “Com os graus mais variareis de gravidade e comprometimento pulmonar cardíaco renal e até neurológico. Tudo isso leva a graus variáveis de sequelas”, argumenta.

O médico se contaminou pela Covid-19 e ficou internado com 60% do pulmão comprometido. Chegou a precisar de oxigênio no primeiro dia, mas teve uma recuperação rápida no hospital, ele acredita que seja devido ao seu bom preparo físico. No segundo dia após a alta ele conta que entrou na piscina para se exercitar e sentiu muito cansaço, mas a disciplina falou mais alto para recuperar a massa muscular e pulmões. Além do cansaço do início, Jonas sentiu uma perda auditiva como sequela da Covid-19.

Ele lamenta que ainda há pessoas que não acreditam na doença. “Está fora de controle essa epidemia. Em curva ascendente e cada vez mais aumentam os casos mais graves. Pior ainda são estes milagres terapêuticos fakes que fazem as pessoas acharem que estão se protegendo. Acredito que, até aparecer a vacina, temos que manter educação continuada e enfatizar que Covid é terrível, fatal, e acaba com a gente. Precisamos de isolamento e cuidados”, alerta.

O empresário Felisberto Ângelo Ferrari, 54, contou que a Covid foi tsunami em sua vida. Ele ficou 58 dias internado, sendo 48 na UTI. “Esta doença me privou da liberdade, dos afazeres cotidianos, de exercer a minha profissão. Perdi 40 quilos, saí do hospital só mexendo a cabeça e com escara nas costas devido ao entubamento, além de perda do volume da voz. Recuperação está indo bem, com certa lentidão, e com acompanhamento do SAD da prefeitura, fisioterapia duas vezes ao dia, e fonoaudiólogo duas vezes por semana”, relata.

Os movimentos Felisberto está recuperando aos poucos, porém sente perda de força  ao levantar a parte da frente do pé, perda do volume da voz, perda do paladar para determinados tipo de alimentação. Ele conta que tudo começou com uma pequena febre, depois uma indisposição e perca do paladar. Foi ao médico e o exame constatou que o pulmão estava 35% atingido. “Passei três dias internado, já tomando medicação e bem. Depois fiz nova tomografia e aí já estava com 75% do pulmão comprometido. Em uma semana dos primeiros sintomas já estava indo para a UTI”, conta.

O empresário Lorival Botelho, 61, ficou 12 dias internado, sendo dois na UTI. “Fiquei 12 dias internado, dois dias na UTI. Entrei com 40% de pulmão comprometido em dois dias foi pra 70%. Perdi 5 quilos, ainda fico cansado facilmente, mas estou melhorando dia a dia, também notei que meu cabelo ficou mais grosso. Algumas pessoas conhecidas relataram que caiu bastante cabelo”, diz. Lori já retomou suas atividades normais, mas ainda sente cansaço fácil.

A operadora de pedágio Shirley Martins da Silva Nascimento, 35, também pegou Covid juntamente de familiares e relata estão com sequelas. A sogra Jeane é hipertensa e ficou internada. Chegou a ter 56% dos pulmões comprometidos, mesmo após a alta segue tomando remédio para o pulmão e vitaminas, pois ficou muito debilitada e emagreceu 15 quilos.

Seu marido Jean, 36, também hipertenso precisou de internação. Ele teve diarreia e ficou com 36% do pulmão comprometido. Shirley relatou que o marido ficou com uma sequela no sangue. “O sangue dele ficou muito grosso, coagula muito e vai ter q fazer tratamento para voltar ao normal. Não se sabe quanto tempo ainda”, diz. Mais três pessoas da família testaram positivo, mas ficaram assintomáticos.

O condutor socorrista do SAMU, Renato de Oliveira, 35, foi o primeiro paciente grave de Covid na cidade. Ele ficou 35 dias no hospital, sendo 21 deles na UTI e 17 entubado. “A recuperação em casa foi lenta. Muita canseira, fraqueza, minha frequência cardíaca era muito alta, e isso causava mal estar. Esses sintomas se estenderam por 30 dias em casa. Ainda hoje, com oito meses que sai do hospital, ainda sinto canseira, se não dormir bem à noite meu dia seguinte é baseado em sono e mal estar. Fiz uma tomografia recentemente para ver a sequela do pulmão, mas ainda não saiu o resultado”, conta. Renato só retornou ao trabalho após 40 dias que saiu do hospital.

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