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Ansiedade e depressão tem afetado população na pandemia

Publicada dia 15/03/2021 às 11:56:15

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Thaís Balielo


A pandemia de Covid-19, ou novo coronavírus, uma pandemia de escala global, que assolou milhões de pessoas por todo o mundo, vem há meses repercutindo não apenas no âmbito médico e setores da saúde, mas também de forma geral em todos os demais aspectos da sociedade, trazendo prejuízos psicossociais importantes para toda população. A psiquiatra Tamara Mendes Cardoso teme o impacto da pandemia na saúde mental da população.

Desde o surto, o isolamento social tem sido proposto pelos governos locais como medida de saúde pública fundamental para controle da disseminação da doença. “No entanto, o distanciamento social pode ter influências sociais e psicológicas diretas e indiretas, com consequências imediatas e no futuro, impactando diretamente na saúde mental da população”, diz.

Ela argumenta que o distanciamento social ocasionou mudanças no padrão de convivência nos ambientes de trabalho e familiares, despertando sentimentos de solidão, tristeza, medo e ansiedade. “Vejo como crucial incitar uma compreensão oportuna de que manter o status da saúde mental é urgentemente necessário para toda sociedade. Sintomas de ansiedade e depressão tem afetado grande parte da população durante a pandemia, assim como mudanças nos hábitos de sono também”, relata.

A médica observou maior incidência de sintomas em mulheres. Também há de se levar em conta o impacto psicossocial em crianças e adolescentes. “O confinamento não limita apenas o distanciamento social, mas o próprio gasto de energia da garotada, e os reflexos dessas restrições são agitação, irritabilidade, ansiedade e alterações do sono. Por vezes, muitos sinais de ansiedade também são expressos fisicamente, como dores de cabeça, dores na barriga e ocorrência de comportamentos regressivos, como voltar a pedir chupeta, correr para a cama dos pais à noite, retroceder no processo de desfralde”, cita.

A paralisação das aulas por quase todo o ano letivo em 2020 tornou o enredo ainda mais difícil. “A fase escolar se trata de um momento da vida em que as experiências físicas e as interações sociais são tão importantes”, aponta.

Ela ressalta que o sentimento de medo, impotência e vulnerabilidade colocou preventivamente toda a sociedade em alerta e reclusos na quarentena. “As medidas de higiene preventiva passaram a fazer parte da nossa rotina, além disso, taxas de desempregados vêm aumentando a cada dia no país, impactando ainda mais na desigualdade social que assola o país”, diz.

Tamara argumenta que se trata de um momento intenso e fora do comum, logo, é normal sentir-se triste às vezes, assustado ou menos produtivo que o habitual. “Uma pandemia e o distanciamento social geram diversas emoções que são difíceis de lidar, novos sentimentos são esperados, é importante observar as demandas internas e trabalhar a resiliência, para manter o equilíbrio interior e a saúde mental. Por isso descanse, alimente-se bem, fortaleça seus contatos, mesmo que à distância, tire um tempo para você. Na dúvida, procure um profissional especializado”, aconselha.

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