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Estudantes da UniFio criam Coletivo após fala de professor

Publicada dia 20/04/2021 às 17:16:20

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Alunas e ex-alunas da UniFio, de todos os cursos, criaram um Coletivo chamado "Coletivo Feminista Carolina Maria de Jesus". A formação se deu logo após o caso do professor e coordenador do curso de Direito da UniFio, Fabio Pinha Alonso, que teve um trecho de sua aula publicada nas redes sociais causando revolta pelo conteúdo.

No trecho da aula, retirada de uma videoconferência, o professor está explicando sobre circunstâncias agravantes genéricas para estupro, e cita um exemplo. “Vamos pensar. O que é mais fácil estuprar? Uma freira de hábito ou aquela menininha com a cinta larga (sic)? Fala pra mim, qual vítima colabora mais com a prática do estupro?”, diz Fabio ao vivo logo em seguida se justificando. “Eu tô falando em tom de brincadeira, mas eu quero que vocês imaginem isso, como é o comportamento da vítima”, complementa garantindo que o comportamento pode interferir no crime.

Revoltadas com o caso e a falta de atitude da faculdade, cerca de 10 mulheres começaram a pensar na criação do coletivo, em poucos dias elas já agregaram quase 200 alunas e ex-alunas da faculdade.

Uma das fundadoras do Coletivo conversou com a reportagem, mas preferiu não se identificar para evitar represálias. Ela revelou que o objetivo inicial do coletivo é repudiar a fala machista e misógina do professor Fábio e pressionar a faculdade a tomar alguma providência. “Queremos que eles olhem para o discurso com a gravidade que teve. Como vivemos em uma sociedade patriarcal e machista, muitas pessoas pensam naquela forma. Pode haver outros docentes com o mesmo pensamento e nosso coletivo servirá como um canal de denúncia para que isso não se repita. Será uma rede de apoio entre as mulheres da UniFio. Também pensamos em criar um grupo de estudos para discutir estas temáticas”, revela.

Sobre a fala do professor, a aluna enfatiza que não existe comportamento da vítima. “A culpa do estupro nunca será por conta da roupa da vítima ou do seu comportamento. A culpa do estupro é única e exclusivamente por conta do mal caráter do estuprador, do abusador. A culpa da violência doméstica nunca vai ser da mulher bocuda. A vítima nunca é culpada”, critica.

Outra fala do professor foi divulgada recentemente em que parece culpar a mulher que reclama do marido e acaba levando “mão na orelha”. Até o momento a faculdade não tomou nenhuma providência contra o professor e alegou que o docente possui liberdade de cátedra. No entanto, a defesa da liberdade de discurso do professor causou estranheza para algumas pessoas, pois durante as eleições presidenciais de 2018 alguns professores foram demitidos por externar posições politicas em sala de aula. Naquela época a liberdade de cátedra parece não ter sido lembrada.

O nome Carolina Maria de Jesus para o coletivo foi escolhido através de votação. Maria de Jesus foi uma das primeiras escritoras negras do país. Em seu livro Diário de uma favelada relatou várias realidades brasileiras, inclusive sobre violência contra a mulher.

Para a reportagem o professor justificou que o trecho foi editado e que sempre usou este tipo de exemplo em sala de aula e nunca teve problema. Ele afirmou não compactuar com estupro.

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