Mulheres são 52% do eleitorado, mas enfrentam barreiras na política
As mulheres brasileiras conquistaram o direito ao voto em 24 de fevereiro de 1932 pelo Decreto 21.076. 94 anos depois, ao analisar a representatividade das mulheres na política de Santa Cruz do Rio Pardo, percebe-se um cenário de contrastes. De acordo com os dados mais recentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atualizados em fevereiro de 2026, as mulheres compõem a maioria do eleitorado local, representando 52% do total, com 17.602 eleitoras, enquanto os homens somam 48%. Apesar dessa vantagem numérica nas urnas, a ocupação de cargos públicos ainda enfrenta obstáculos estruturais e culturais.
A vereadora Laura Assis (AGIR), em entrevista ao Atual, aponta que a principal barreira para a inserção feminina é de ordem cultural. “Ainda assim eu acho que é uma questão cultural mesmo, machista. Dessa sociedade centralizada no homem, na força masculina e isso é o primeiro item”, afirma a parlamentar. Ela destaca que a tripla jornada — que concilia maternidade, vida conjugal, trabalho profissional e afazeres domésticos — gera uma sobrecarga que afasta muitas pretendentes da vida pública. “A mulher tem que estar muito bem preparada psicologicamente e até profissionalmente. Tem que buscar conhecimento para você ter peito e para estar ali para conseguir bancar aquilo ali”, reforça Assis.
Sobre o comportamento das eleitoras em Santa Cruz do Rio Pardo, a vereadora observa um avanço positivo e contesta a ideia de que mulheres não votam em mulheres. Ela relata que possui um público feminino expressivo que a utiliza como referência. No mandato anterior, a mesa diretora contava com três mulheres, número que passou para duas na atual legislatura.
Para ela, a presença feminina traz um diferencial na gestão de conflitos, pois as mulheres seriam mais pacificadoras e analíticas. Para aquelas que desejam ingressar na vida pública, a vereadora deixa um incentivo: “Quem tem essa vontade tem que buscar conhecimento. A gente tem que lutar mesmo e tem que fazer valer os nossos direitos como mulher como mãe a gente tem que representar a nossa classe”.
