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Escala 6x1 pode impactar custos e funcionamento do comércio local, aponta presidente da ACE

Publicada dia 30/04/2026 às 15:33:56

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A proposta de mudança na jornada de trabalho conhecida como fim da escala 6x1 ainda está em fase inicial de discussão e, segundo o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Santa Cruz do Rio Pardo, Francisco Bibiano, seus impactos práticos no comércio local ainda não podem ser totalmente mensurados. “Na prática ainda é muito cedo para responder. O que temos são estudos que mostram uma situação complexa em termos de funcionamento das empresas”, afirmou.

De acordo com Bibiano, a principal preocupação está relacionada à relação entre produção e custos operacionais. Ele explica que a redução de horas trabalhadas pode resultar em menor volume de produção, enquanto os custos fixos permanecem. “Com menos horas, menos produção e manutenção dos custos, logicamente a planilha de custos será influenciada pelo aumento dos custos em relação à redução de produção”, disse. Segundo ele, esse cenário pode levar ao aumento de preços ao consumidor final.

Outra possibilidade levantada é a manutenção do funcionamento tradicional do comércio, de segunda a sábado, o que exigiria a contratação de mais funcionários. “Será necessário aumento de contratação o que vai resultar em mais custos e que também será repassado nos custos. O consumidor final sempre acaba pagando o preço”, afirmou.

A Associação Comercial participa de estudos em conjunto com a Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (FACESP) e a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB). Segundo Bibiano, o grupo já elaborou um projeto que será protocolado no Senado. “O mais importante é estabelecer critérios mais claros, uma vez que o projeto, em ano de eleição, está desvirtuando o fato e os empresários não estão sendo ouvidos”, declarou.

Para pequenas e médias empresas, os impactos podem ser mais significativos. Bibiano aponta que a necessidade de novas contratações para manter o nível de produção pode comprometer a competitividade desses negócios. “Com maior preços, estas pequenas e médias terão dificuldade em manter seus produtos no mercado e concorrer com as grandes empresas com produção em escala. Existe o risco de ocorrer fechamento de empresas deste porte”, afirmou.

Outro desafio citado é a disponibilidade de mão de obra. “As empresas de forma geral estão sofrendo com a falta de mão de obra em todas as suas modalidades”, disse. Ele acrescenta que, no município, há um movimento de migração de trabalhadores para programas sociais, o que impacta a oferta de profissionais.

Sobre a proposta em si, o projeto enviado ao Congresso Nacional prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso remunerado e sem redução salarial. A medida, segundo o governo federal, busca ampliar a qualidade de vida dos trabalhadores.

O posicionamento das entidades representativas, segundo Bibiano, é de cautela. “Uma mudança de tal magnitude deve ser melhor estudada e principalmente ser considerado os impactos nos mercados em termos de custos para o consumidor final”, afirmou. Ele também questiona a expectativa de aumento no número de empregos. “O que se tem é uma ilusão de que aumentará o número de empregos, o que na verdade tem grandes chances de não ocorrer”, disse.