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Debate eleitoral teve grande estrutura de tradução em libras

Publicada dia 25/11/2020 às 14:14:35

Reprodução

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Thaís Balielo


Promovido pelo Atual, o debate eleitoral entre os candidatos a prefeito em Santa Cruz do Rio Pardo no dia 11 de novembro contou com uma grande estrutura para a tradução simultânea em libras. Quatro tradutores foram chamados para o trabalho. A interprete Lidiane Rodrigues Deluca, 28, afirmou que o Atual foi a única empresa que se preocupou verdadeiramente, em realizar a inclusão dos surdos no contexto político.

“Foi um momento privilegiado, pois os surdos puderam conhecer realmente os candidatos e suas propostas, assim, puderam votar com mais consciência. Nos preocupamos com o entendimento dos surdos para a interpretação, por isso, a estrutura da interpretação foi dividida, cada um ficou responsável por interpretar um candidato, decidido em sorteio antecipadamente”, relatou.

Antes do debate ouve uma reunião em que participaram duas pessoas deficientes auditivas. Neste encontro foram apresentamos os candidatos aos surdos, e tiveram um momento de partilha entre eles. Sinais foram dados para cada candidato a prefeito e vice-prefeito, sinais estes que representam o seu nome na comunidade surda.

“Conversando com os surdos, me disseram que gostaram muito da interpretação, conseguiram acompanhar as eleições mais de perto e se sentiram mais participantes da sociedade e confiantes na hora de votar. Percebe-se que a libras é muito vista em época de eleição, por ser lei. Mas muito me entristece que, passando esta época, os deficientes, em geral, voltam a serem esquecidos. A inclusão precisa ser feita todos os dias, com todos os deficientes. A sociedade precisa abrir os olhos para ajudar mais as pessoas”, argumenta.

Professora e interlocutora em Libras, Mara Buzolin Miquilini, 46, ficou feliz em fazer parte da interpretação simultânea no debate. “Os surdos são sempre excluídos da política, pois não existe uma preocupação em colocar Libras nas campanhas, o que ajudariam os surdos a tomarem uma decisão importante que é o voto”, diz.

Uma das interpretes, Liliane Rodrigues Deluca, 28, acredita que a Libras deveria ser disciplina obrigatória desde a educação infantil, visto que quanto mais cedo acontece o aprendizado, mais cedo ocorre a inclusão. “O debate político realizado em libras só veio acrescentar. Um pequeno passo, mas com um significado grandioso para nossos amigos surdos, no qual puderam este ano, votar com consciência, conhecendo a proposta de cada candidato e escolhendo o que melhor o representa”, afirma.

Liliane lembra que a inclusão na libras não é simplesmente colocar a janela para a interpretação. “Desejo que essa inclusão aconteça não somente nos períodos eleitorais, mas que a partir de agora, esse papel de inclusão se estenda todos os dias nos bancos, nos supermercados, no comércio, nos hospitais, em todos os departamentos públicos e privados. Pois a verdadeira inclusão acontece em todo espaço”, afirma.

Alcides Marques Sobrinho, 48, trabalho nos Correios de Santa Cruz e estuda Libras. “Quando apareceu o convite para interpretamos o debate, confesso que fiquei com medo, mas com o apoio do grupo logo fui percebendo que conseguiríamos. Então começamos os preparativos com estudos, principalmente sobre política. No final tudo correu bem e tivemos a alegria de poder ajudar os nossos irmãos surdos a escolher com consciência”, acredita.

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