Jornal Atual
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Santa Cruz tem queda nos furtos e aumento do tráfico de drogas durante a pandemia

Publicada dia 29/08/2020 às 09:59:19

Renan Alves

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Diego Singolani


Um levantamento realizado pelo Atual, com base em dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, revela o impacto da pandemia no perfil das ocorrências policiais registradas em Santa Cruz do Rio Pardo. Enquanto os casos de furto tiveram queda de quase 35% entre os meses de março e junho, em comparação ao mesmo período do ano passado, houve aumento no número de roubos, prisões por tráfico de drogas e estupros. Outro efeito observado foi a sensível diminuição dos registros de lesões culposas decorrentes de acidentes de trânsito. 

Em números absolutos, o volume de trabalho aumentou na Central de Polícia Judiciária de Santa Cruz, onde, além da expedição de documentos, são registradas as ocorrências. Apenas entre os meses de março e junho deste ano, 200 inquéritos foram instaurados, contra 188 no mesmo período de 2019. Além disso, 77 prisões em flagrante foram ratificadas, sendo que no ano passado foram 66. Durante os primeiros quatro meses da quarentena no Estado, as ocorrências de tráfico de drogas aumentaram 42% em Santa Cruz. Já os casos de furto caíram 34,5%. O delegado responsável pela CPJ, Renato Caldeira Mardegan, confirmou o que as estatísticas apontam. “No início da pandemia, percebemos uma diminuição das ocorrências em geral. Logo depois, o que começou a aumentar e nos deixou preocupados foi o tráfico de drogas. E se a venda de drogas aumenta é porque o consumo também cresceu no período. O combate à traficância se intensificou por parte das polícias e, com mais gente se expondo para tentar vender a droga, mais prisões aconteceram”, afirmou. Sobre a diminuição dos furtos, o delegado explica que, com o isolamento social, as pessoas permaneceram mais tempo em casa e assim os imóveis residenciais ficaram menos expostos. “O bandido não ia arriscar dar de cara com o dono da casa. Mas, em contrapartida, percebemos um aumento dos casos de furto em chácaras de lazer, por exemplo, que ficaram vazias, pois os proprietários deixaram de frequentar naquele momento”, afirma Mardegan.

No início da quarentena, houve a suspensão de alguns trabalhos administrativos na delegacia, além da restrição das atividades policiais até que Governo definisse quais seriam os protocolos de segurança para a  atuação da Polícia Civil. “Agora já voltamos a trabalhar na normalidade, tomando todos os cuidados, até porque a doença ainda está aí, matando gente. Mas o crime é dinâmico e a polícia não para. Com o retorno gradual e ordenado da sociedade às suas atividades, as ocorrências vão se manter no patamar normal”, diz o delegado.

Os reflexos da pandemia na área da segurança pública foram identificados em praticamente em todo o Estado. Segundo o Índice de Exposição à Criminalidade Violenta (IECV), criado pelo Instituto Sou da Paz, em 99 de 139 municípios paulistas analisados, crimes como roubo e estupro tiveram queda de 71,2% no primeiro semestre em comparação com mesmo período do ano passado. O estudo demonstrou, entretanto, a desigualdade de São Paulo diante da redução da violência. Mesmo com a queda em grande proporção, 40 cidades tiveram aumento em crime violentos, principalmente na região litorânea e no Vale do Paraíba. Itanhaém é campeã do aumento e tem o maior indicador de aumento de crimes, seguida ainda por Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande e Ubatuba.

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