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Mulheres PCD inspiram com relatos de superação

Publicada dia 20/03/2024 às 15:05:25

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O Dia Internacional da Mulher, comemorado anualmente no dia 8 de março, retoma a consciência dos debates sobre a importância do papel da mulher na sociedade. Em uma outra face desta mesma moeda estão as mulheres com deficiência, que vivem com outras limitações e desafios - entretanto, que não as impedem de construir uma jornada próspera e fascinante. 

O Jornal Atual reúne relatos de três mulheres com deficiência que vivem em Santa Cruz do Rio Pardo e inspiram através da força e motivação que têm por si mesmas. 

Marcela do Carmo Mantovanni Silva, 42, empresária. 

“Nasci em Santo André e me mudei para Maringá com a família por volta dos 20 anos de idade. Foi nesse período que sofri um acidente de moto que quase levou minha vida. Tive septicemia quando fui internada, uma infecção hospitalar que foi paralisando meus órgãos, a ponto de os médicos afirmarem que eu só tinha 1% de chance de sobreviver. Numa tentativa de me salvar, tive a perna amputada. Inicialmente foi uma luta pela vida, mas eu decidi viver. Logo coloquei uma prótese, passei a pegar dois ônibus para a faculdade até me formar em gastronomia, voltei a morar com meus pais, conheci meu marido, engravidei e cuidei da minha filha de muletas até ela completar três anos. Hoje, apesar da perna mecânica, vivo muito feliz, cuido da minha alimentação e pratico exercícios físicos diariamente. Além disso, me desafio participando de caminhadas e grupos de mulheres da cidade, como o CMEC, Conselho da Mulher Empreendedora. Definitivamente, o meu caminho mudou, mas mantenho a alegria pela vida e o pensamento de trilhá-la da melhor forma possível. Esses últimos cinco anos foram os melhores da minha vida, pois me propus a me conhecer de verdade através da terapia. Acreditei que eu sou capaz e poderia construir os meus próprios passos. Isso me guiou até o Via Mobb, aplicativo de locomoção urbana que trouxe à cidade há 14 meses. Vejo que muitas pessoas não têm uma limitação física aparente, mas talvez a limitação seja interna, pela falta de autoconhecimento. Por isso, busco incentivar as pessoas a não medirem esforços e descobrirem o próprio caminho!”

Maria Clara Silva Panegocio, 23, psicóloga.

“Sou de Santa Cruz do Rio Pardo e sempre morei na Vila Oitenta com a minha família. Psicóloga recém-formada, me considero uma pessoa bastante criativa, tanto que já ajudei meu padrasto com criação de identidade visual para o seu negócio. Sou cadeirante desde o nascimento, assim como meu irmão. Minha limitação é a mobilidade das pernas, mas isso nunca me impediu de estudar, fazer amigos e sair - apesar de que sou uma pessoa que prefere ficar em casa, jogar e ler. Até os 12 anos eu andava com muletas, mas tive de fazer cirurgias e usar a cadeira devido a complicações. Certa vez, quando pegava ônibus da faculdade, um motorista se recusou a me ajudar a subir no ônibus e levar a minha cadeira. A turma toda se revoltou e ele foi, inclusive, desligado pela Secretaria. Sou muito grata pela minha vida e minha mãe. Quero poder, no futuro, retribuir tudo que ela fez e faz até hoje por mim.”

Andreia Cristina Pereira, 46, psicóloga. 

“Naturalmente santa-cruzense, sempre estudei e morei na cidade. Nasci com uma deficiência chamada mielomeningocele, que prejudica um pouco o meu caminhar, mas foi somente na faculdade que passei a usar bengala. Recentemente fiz uma cirurgia, por isso, preciso também do andador, mas creio que logo possa voltar. Minha maior dificuldade hoje é a locomoção por alguns lugares que ainda não tem tanta acessibilidade, pois muitos tem rampas, mas não são tão boas. Adoro passear, viajar, estar com meus amigos e conhecer coisas diferentes. Certo tempo fiz até slackline, um esporte de atravessar sobre uma corda flexível. Não pretendo casar, não tenho filhos e moro sozinha. Minhas motivações são continuar ajudando as pessoas de alguma forma e descobrir novas experiências. Penso em, futuramente, abrir um centro de atenção às pessoas com trabalhos voluntários. A minha deficiência não é obstáculo dos meus sonhos - pelo contrário - faz parte de quem sou. Na época da faculdade foi muito marcante para mim porque foi onde eu encontrei meu lugar não só como profissional, mas também como pessoa. Além de trabalhar ao mesmo tempo em que estudava, aprendi a mostrar quem eu sou através do meu trabalho.”