2025: entre faíscas, crises e incêndios
Janeiro começou como todo recomeço político costuma começar: com discursos solenes, cobranças ao passado e promessas para o futuro. Otacílio Parras Assis (PL) tomou posse para seu terceiro mandato como prefeito de Santa Cruz do Rio Pardo ao lado do vice Milton de Lima (UNIÃO) e dos 13 vereadores. Em tom emocionado, relembrou a própria trajetória e pediu união, mas não deixou de abrir o governo apontando um cenário financeiro difícil, com saldo negativo, contas deixadas sem pagamento e despesas herdadas da gestão Diego Singolani (PSD) — que, por sinal, iniciou o ano em Ourinhos, como secretário de Saúde, enquanto ex-secretários e assessores de seu antigo governo ficaram sem receber em Santa Cruz. Ainda em janeiro, Juninho Souza (UNIÃO) foi eleito presidente da Câmara, a Festa do Peão movimentou a cidade e um incêndio em uma farmácia lembrou, já cedo, que 2025 não seria um ano tranquilo.
Fevereiro trouxe perdas e frustrações. A cidade se despediu de Frei Papin, referência espiritual e comunitária, enquanto a Covid voltou às páginas do noticiário com a morte de uma idosa de 85 anos. No campo administrativo, Santa Cruz perdeu recursos do MIT após o abandono do projeto turístico do Parque Ecológico, travado por prazos vencidos e falta de contrapartida financeira. No mesmo mês, a Justiça arquivou a denúncia de homofobia contra Juninho Souza, decisão comemorada pelo vereador, e um incêndio criminoso no Supermercado Almark reacendeu o debate sobre segurança e a situação de pessoas em vulnerabilidade social.
Março foi marcado por tensão política e disputas institucionais. Servidores municipais rejeitaram a proposta de dissídio apresentada pela Prefeitura, insatisfeitos com o reajuste salarial de 1%, enquanto aceitavam, sem entusiasmo, o aumento do vale-alimentação. No cenário nacional, o STF recebeu a denúncia contra Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe, e, localmente, o rompimento político entre Juninho Souza e o governo ficou explícito após o vereador chamar o secretário de Governo de “cão de guarda da prefeitura”, resultando em boletim de ocorrência. Entre crises e conflitos, a Câmara aprovou por unanimidade o programa Tarifa Zero, garantindo transporte público gratuito — com direito a silêncio estratégico de antigos críticos. No cenário nacional, o Brasil faz história com o filme “Ainda Estou Aqui”, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional
Abril e maio misturaram fé, política e polêmica. O mundo se despediu do papa Francisco, enquanto a Igreja se preparava para um novo conclave. Santa Cruz, por sua vez, suspendeu a Área Azul, que prometia ser temporária, mas seguiu ausente até o fim do ano. Em maio, o novo papa, Leão 14, fez sua primeira aparição pública, enquanto, no Brasil, o STF tornava definitiva a condenação de Otacílio Assis por improbidade administrativa em contratos publicitários sem licitação — um lembrete incômodo de que o passado insiste em bater à porta.
Junho trouxe choques, literalmente. Um menino sofreu descarga elétrica em um bebedouro no complexo esportivo da cidade, levantando questionamentos sobre manutenção e segurança. Ao mesmo tempo, a crise na coleta de lixo se espalhou pelos bairros, transformando o acúmulo de resíduos em problema de saúde pública e rendendo declarações que jogaram parte da culpa na própria população.
Julho foi culturalmente conturbado. O Balé Municipal quase abandonou o Festival de Dança de Joinville após conflitos com a Secretaria de Cultura, episódio que terminou com a exoneração da secretária e a despedida anunciada do professor Robson Willian. No mesmo mês, a CPI do Pro-Bem apontou irregularidades graves na gestão anterior da saúde animal, enquanto um assalto violento no centro da cidade expôs a sensação crescente de insegurança.
Agosto não deu trégua. Entre anúncios de novas moradias populares, a coleta de lixo voltou a falhar, desta vez por falta de mão de obra da empresa responsável. No cenário nacional, Jair Bolsonaro passou à prisão domiciliar por descumprimento de medidas cautelares, decisão que ecoou também nos debates locais.
Setembro chegou com ventos fortes, literalmente, causando estragos pela cidade. Politicamente, a CPI das Máquinas Fantasmas iniciou seus trabalhos, investigando contratos milionários da Codesan, enquanto o STF condenava Bolsonaro a mais de 27 anos de prisão, em um marco histórico para o país.
Outubro seguiu incendiário, com queimadas às margens da rodovia, operações policiais, oitivas da CPI e a exoneração do secretário de Turismo após denúncia de suposto assédio envolvendo uma estagiária menor de idade. Novembro aprofundou as investigações, com relatório parcial da CPI apontando falhas graves, além de casos policiais que chocaram a cidade.
Dezembro tentou suavizar o clima com a chegada do Papai Noel e o anúncio de um Rock Rio Pardo histórico para 2026, mas a sensação geral permaneceu: 2025 foi um ano de testes, onde discursos, contratos, serviços públicos e até promessas passaram — ou ainda passam — por vistoria. Entre incêndios, CPIs e crises recorrentes, Santa Cruz do Rio Pardo terminou o ano sem grandes certezas, mas com muitas perguntas à espera de resposta.
