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Situação social em Santa Cruz se agrava durante pandemia

Publicada dia 27/07/2021 às 11:29:15

Pedro Figueira

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Thaís Balielo


A pandemia impactou a vida de muitas famílias santa-cruzenses, além da crise financeira com perda de emprego e preço dos produtos cada vez mais altos, ainda existem famílias que perderam membros para a covid ou ficaram um período sem trabalhar por conta da doença, o que reduziu a renda familiar.

A secretária de Desenvolvimento Social Ana Laura Camparini Pimentel Trevizan relata que houve um aumento significativo nos atendimentos da Secretaria, principalmente quanto à ajuda alimentícia. “Verificamos a inclusão em nosso serviço de famílias novas, que, por conta do vírus foram dispensadas do trabalho ou mesmo contaminadas pela doença. As famílias que já faziam parte dos nossos serviços também sofreram da mesma forma. Aliás, algumas com familiares vítimas do covid”, conta.

Outro fator verificado foram famílias que já fizeram parte do atendimento social, mas haviam conquistado autonomia, acabaram retornando ao atendimento em decorrência do desemprego por conta do vírus. Visualmente já notamos um aumento de pessoas em situação de rua ou pedindo esmola.

A secretária explicou que o Creas realiza continuamente abordagem social, ocasião em que é realizada triagem e articulação junto aos familiares visando estreitamento dos vínculos e reinserção no seio familiar. Quando verificam ser caso de internação realizam encaminhamento. “O que verificamos também é um movimento sazonal, com pessoas de outros municípios passando pela cidade. Nestes casos, fazemos abordagem, triagem e contatamos família encaminhando para cidade de origem com fornecimento de passagem”, afirma.

Ana Laura garante que com este trabalho, foi possível retirar os moradores que ficavam na rodoviária. Ela afirma que houve uma diminuição de moradores nas ruas após estas ações. Ainda foi implantado um Plantão da Assistência Social para verificar essas situações. “Vale destacar que algumas dessas pessoas se mostram agressivas às nossas abordagens, não aceitando. Verificamos que muitas acabam optando pelas ruas diante da facilidade em conseguir dinheiro”, argumenta.

A reportagem presenciou alguns casos de menores de idade vendendo produtos na rua para ajudar na renda familiar. A secretária relatou que, em relação às crianças não chegou nenhuma notícia ou denúncia. Ela aproveitou para alertar que quando presenciar situações como esta é preciso ligar no plantão pelo telefone 14 996378450 para que verifiquem a situação da família.

Moradora da Divinéia, Fabiana de Souza, 38, é uma das pessoas que teve sua situação familiar agravada com a pandemia. Ela trabalhava costurando sapatos e foi dispensada na pandemia. Após pegar covid, ficou com uma dor nas costas que a impede de voltar ao trabalho de costura mesmo que surja a oportunidade. A renda familiar ficou comprometida.

Mãe de três filhos, um de 20, uma de 13, e outra de 11 anos, a renda familiar está por conta do marido servente de pedreiro e do filho mais velho que trabalha em uma firma da cidade. “Sem o meu trabalho está complicado, pois as coisas estão muito caras, tudo subiu muito desde mercado, luz, gás e também os gastos aumentaram com as crianças em casa”, relata. Fabiana recebe 250 reais de auxílio emergencial e mais ajuda do CRAS. “Sem isso seria ainda mais difícil”, aponta.

Também da Vila Divinéia, Bianca dos Santos Sanchez, 27, tem quatro filhos, uma menina de 11 anos, dois meninos de 10 e 8 e uma menina de 7 anos. A renda da família está sendo exclusiva do salário do marido ajudante de pedreiro. “Eu fazia bico de faxina, mas com essa pandemia ficou mais difícil por que as pessoas estão com medo do vírus e não me chamaram mais”, conta.

Bianca recebe Bolsa Família que ajuda em algumas coisas na casa. Ela revela que estão sobrevivendo com doações do CRAS e do Frei Chico. “Já precisamos de doações antes, mas não todo mês como agora. Tudo está mais caro, tentamos cortar gastos como dá. Passamos a comer mais ovo e frango que é mais barato”, diz.

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