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Santa-cruzenses percorrem Caminho da Fé

Publicada dia 04/01/2021 às 10:10:46

Arquivo pessoal

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Thaís Balielo


A peregrinação de santa-cruzenses até Aparecida através de excursões é uma tradição antiga, recentemente o caminho percorrido de bicicleta também se tornou rotineiro. Agora alguns santa-cruzenses têm se aventurado em uma peregrinação diferente: o Caminho da Fé. Geraldo Martelozo, 67, Carlos Henrique Orlando, 48, o Jabá, e Pedro Henrique Camarinha Figueira, 37, saíram da cidade de Águas da Prata e percorreram 318 quilômetros a pé até a basílica de Aparecida. A peregrinação começou no dia 23 de novembro e terminou no dia 3 de dezembro.

O aposentado Geraldo Martelozo, 67, é um veterano das peregrinações. Ele já foi até Aparecida e outros destinos mais distantes de bicicleta por diversas vezes. Já havia também percorrido o Caminho da Fé com a bike quando decidiu realizar a peregrinação a pé para ter uma experiência diferente.

Em agosto de 2019 Martelozo fez o primeiro Caminho da Fé sem a bike com mais três amigos. Logo depois ele fez o convite para o amigo Jabá para realizar a peregrinação em 2020 e então ele convidou o também amigo Pedro. Iniciaram então os treinos preparatórios. Enquanto os amigos se preparavam, Martelozo fez o Caminho outra vez de bike e mais uma vez a pé com outras oito pessoas.

“As viagem são todas diferentes, mesmo indo várias vezes e para o mesmo lugar. São sempre pessoas diferentes, e sempre uma nova experiência. Cada viagem é uma história. Uma vez tem seca, outra vez muita chuva, tudo muda”, conta.

Apesar de ter um bom preparo físico e já ter percorrido grandes distâncias de bicicleta, Matelozo explica que é preciso um preparo diferente para o Caminho da Fé, principalmente para o pé. O calçado tem que ser confortável e tem que resistir ao percurso. Ele conta que muitas pessoas sofrem com bolhas. Nas duas vezes que fez o caminho não teve esse problema, mas nessa terceira, mesmo usando o mesmo calçado, teve que conviver com bolhas.

Para ele, a grande diferença do percurso a pé e o de bike e aproveitar o caminho. “De bicicleta fica muito preocupado com velocidade e esquece das paisagens. A pé é possível curtir mais o caminho, conversa com mais gente, conhece muitas pessoas, é um caminho que podemos refletir sobre a vida e desligar a mente”, compara.

O empresário Jabá conta que era sedentário quando recebeu o convite de Martelozo em agosto de 2019 para fazer o percurso. “Mesmo sem preparo aceitei o convite e começamos os treinos. As caminhadas começaram na Praça São Sebastião, foram para ruas da cidade até chegar às estradas rurais onde foi a maior parte dos treinos. As expectativas foram aumentando, pois havíamos marcado a data para agosto de 2020. A pandemia fez com que mudássemos para novembro”, relata.

Jabá conta que o desgaste é muito grande, mas tudo compensa. “Fizemos o Caminho da Fé em 11 dias conhecemos lugares incríveis e pessoas de uma pureza enorme. O que nos leva mais ainda a conseguir o nosso propósito. A emoção da chegada é um dever cumprido, uma emoção muito enorme, cheia de lágrimas. Nunca tinha feito nada semelhante, mas se Deus quiser e Nossa Senhora ajudar o ano que vem tem mais Caminho da Fé”, garante.

Pedro Figueira conta que em 2019 chegou à banca do Jabá no mesmo dia que Martelozo o havia convidado para fazer o caminho. “Ele repassou o convite para mim. Aceitei na hora, mas ao mesmo tempo disse que seria impossível andar em média 30 quilômetros por dia durante 10 dias. Por eu não ter preparo e na época não estar fazendo nenhuma atividade física. Então começamos os treinos. Foram cinco quilômetros nos primeiros dias e no final chegamos a fazer um percurso de 46 quilômetros em estrada de terra”, revela.

O grupo de preparo chegou a ter nove pessoas de Santa Cruz e do Paraná, mas a pandemia paralisou tudo. “Parte do grupo chegou a ir em setembro, mas eu e o Jabá remarcamos para novembro, depois Martelozo resolveu nos acompanhar, mesmo já tendo ido em setembro”, relata.

No domingo dia 22 participaram de uma missa e por volta das onze e meia da manhã, partiram para Águas da Prata no carro de apoio com André Bermejo que deu suporte. O carro de apoio foi possível graças ao patrocínio de alguns empresários da cidade.

“Sobre o caminho vou tentar passar minha experiência. É incrível, divino, e surreal as coisas que acontecem no percurso. Não tem como explicar o sentimento vivido durante a peregrinação. Uma sensação nada antes vivida. Existe o Pedro Figueira antes e depois de fazer o Caminho da Fé. Voltarei com certeza”, afirma.

Para Pedro um dos momentos de maior emoção foi durante a subida da luminosa. “Em seu ponto mais alto, quase 1800 metros de altitude, paro para descansar um pouco e recebo um vídeo da minha esposa, com o áudio do coração do nosso bebê”, relata.

O grupo ainda levou uma muda de Jacarandá que foi entregue ao proprietário de uma área onde está a “Porteira do Céu” e pediram que plantasse. Além disso, levaram milhares de sementes de Ipês que semearam durante o caminho.

História

O Caminho da Fé foi inspirado no milenar Caminho de Santiago de Compostela (Espanha), foi criado para dar estrutura às pessoas que sempre fizeram peregrinação ao Santuário Nacional de Aparecida, oferecendo-lhes os necessários pontos de apoio e infraestrutura.

O grupo santa-cruzense passou pelas cidades de Águas da Prata, Andradas, Ouro Fino, Borda da Mata, Tocos de Moji, Estiva, Parasópolis, Luminosa, Campista, Campos do Jordão, Gomeral e Aparecida.

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