Discos de vinil atraem colecionadores pelo som e nostalgia
Os discos de vinil foram deixados de lado com a chegada do CD, que por sua vez, também foram deixados pelo MP3 e posteriormente pelas plataformas musicais online. Porém, as mídias físicas como o vinil e o CD não foram totalmente esquecidas. Amantes da qualidade do som dos LPs e do ritual de colocar o disco na vitrola e sentar para apreciar as músicas não deixaram o produto desaparecer. Os colecionadores alimentam o mercado de discos usados e muitos artistas voltaram a produzir álbuns nas “bolachas” para atender este público.
Em Santa Cruz do Rio Pardo dois colecionadores contaram como começou a paixão pelos discos e como seguem aumentando a coleção até hoje. O autônomo Benedito Cesar Camargo Neto, 44, conhecido como Bene, gosta muito da qualidade do som analógico dos LPs. Além dos quase mil discos ele também possui diversos aparelhos toca-discos, amplificadores e todos os equipamentos necessários para uma experiência completa na hora de ouvir os vinis.
Ele conta que desde os 13 anos de idade começou a ter seus próprios discos e buscar aumentar sua coleção. “Meu pai tinha os discos e eu gostava de ouvir, mas eu queria rock, aí era mais difícil de encontrar no Tamura Som, tinha que juntar uns dois ou três tipos de discos para trocar por um de rock que queria com um amigo. Trocava com os amigos que iam para São Paulo e conseguiam discos diferentes”, relata.
Sua primeira coleção foram álbuns do Kiss e do Iron Maiden. Benedito tem muito item de rock internacional, mas possui de rock nacional também, além de discos de novelas. Ele conta que com a internet ficou mais fácil conseguir discos raros, porém o investimento é alto. Uns dos discos mais caros e raros que possui é um álbum da banda Iron Maiden que só existem 400 cópias no mundo. Ele chegou a pagar quase mil reais no item que hoje pode passar de dois mil.
O vendedor Ivan Lorenzetti Tavares, 40, também tem um quarto cheio de LPs, CDs e itens de suas bandas favoritas. Ele conta que suas primeiras lembranças com os vinis vêm da infância na casa de sua tia Vilma em que ouvia muito Beatles. Ela apresentava as canções e ia traduzindo as letras com ajuda de um dicionário de inglês.
Sua coleção começou com CDs de suas bandas preferidas durante a adolescência. “Chegou a era dos MP3, de baixar músicas, e deixei minha coleção de CDs de lado. Sorte que encaixotei tudo e hoje ainda tenho CDs originais q comprei na época de lançamento”, conta.
Quando sua tia faleceu, acabou herdando a coleção de discos dela. Ele conta que demorou um tempo para pegar para ouvir, pois a lembrança o emocionava. Então resolveu mandar arrumar um velho toca discos para colocar a coleção rodar. “Quando fui pegar um disco do Beatles para tocar que a emoção veio forte, pois encontrei uma folha escrita pela minha tia com a letra da canção traduzida”, relata.
A nostalgia, a lembrança carinhosa da tia, o fez despertar o gosto pelos vinis e pesquisar mais sobre o assunto. Foi então que descobriu que os discos não tinham morrido. “Conheci através do Facebook que tinha uma turma bem grande que também ouvia vinil, e outros q nunca pararam. Então percebi que algumas bandas, como forma de agradar os fãs, voltaram a fazer discos novos em LP, além de reedições de álbuns clássicos”, revela.
“O que me encanta é um conjunto de coisas, capa, o cheiro e no caso dos vinis antigos a nostalgia. Quando compro um usado, em sebo, por exemplo, gosto de imaginar de quem era, se aquele disco foi ouvido numa galera, ou se embalou algum romance. Acho muito legal colocar o disco no aparelho e, mesmo sem nada ligado na tomada, se abaixar a agulha e rodar o disco com a mão dá para ouvir a agulha passando pela trilha do disco e emitindo um som bem baixinho, ou seja, é puro, é analógico”, argumenta.
História
O disco de vinil, conhecido simplesmente como vinil, ou ainda Long Play (LP) é uma mídia desenvolvida no final da década de 1940 para a reprodução musical. Ele possui microssulcos ou ranhuras. Trata-se de uma gravação analógica, mecânica. A partir do final da década de 1980 e início da década de 1990, a invenção dos compact discs (CD) prometia maior capacidade, durabilidade e clareza sonora, sem chiados, fazendo os discos de vinil ficarem obsoletos e desaparecerem quase por completo no fim do Século XX, tendo seu ressurgimento a partir de meados da primeira década inicial dos anos 2000.

