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Acumuladores digitais crescem com avanço da tecnologia

Publicada dia 29/03/2021 às 12:41:58

Pedro Figueira

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Thaís Balielo


Seu celular vive com a memória cheia, o computador com a área de trabalho cheio de arquivos desorganizados, não consegue se desfazer de fotos, vídeos, e-mails, conversas de WhatsApp, pois pensa que poderá usá-los um dia? Você pode ser um acumulador digital. Alguns especialistas acreditam que o avanço da tecnologia foi o principal fator que gerou o apego das pessoas aos conteúdos.

Com isso, cada vez mais, os celulares vêm com mais capacidade de armazenamento e os serviços de nuvem (armazenamento virtual) crescem. Entre as razões mencionadas para não abandonar os itens digitais estavam: pura preguiça, acreditar que algo poderia ser útil mais adiante, ansiedade em relação à ideia de deletar qualquer coisa e até mesmo querer estocar "munição" contra alguém.

Além desses tipos de acumulações, há pessoas também que, ao usarem os computadores, acumulam e-mails, deixam várias abas na internet abertas, e guardam várias pastas no desktop. O primeiro passo para que o usuário se livre de materiais acumulados é fazer uma limpeza geral nos aparelhos eletrônicos.

Comerciante e especialista em assistência técnica de celulares, Mario Lucio Camilo Pereira Lima conta que os fabricantes de celulares estão cada vez mais lançando modelos com muita memória. Atualmente há celulares com até 512 gigas de espaço.

Ele explica que logo celulares com até 16 gigas irão parar de funcionar, pois as atualizações de sistemas e os aplicativos vão ficando mais pesados, impossibilitando o funcionamento. Em seu trabalho, Mario percebe que as pessoas acumulam muitos arquivos desnecessários e isso acaba fazendo que gastem mais, ou com serviços de nuvem ou tendo que estar sempre trocando de aparelho para modelos com maior capacidade.

A vendedora Marinalva da Silva Figueira, 38, acredita que possa ser uma acumuladora, pois está sempre com o aviso de memória cheia no celular e precisa apagar alguma coisa para caber novas fotos. Ela justifica o acúmulo de arquivos por questões profissionais. Como tira e envia muitas fotos de produtos para os clientes, precisa deixar os arquivos no celular.

Esperando seu primeiro filho, agora além dos arquivos profissionais ela tem acumulado todo tipo de arquivo relacionado a gestação e coisas de bebê como roupas, decoração, lembrancinhas, além de fotos de grávida e dos eventos familiares como a charreata realizada. Ela acredita que a situação irá se agravar com a chegada do bebê e as fotos dele que não conseguirá apagar. “Provavelmente precisarei de um celular novo”, brinca.

Para facilitar encontrar os conteúdos no celular ela tenta separar os assuntos em pastas ou grupos, mas ainda sim fica muita coisa acumulada. Ela conta que de vez em quando apaga alguma coisa, mas tem dificuldade em desapegar de fotos pessoais.

Uma dica dos especialistas para identificar se temos problema ou não é pensar em sua última semana e tentar lembrar-se de uma ocasião em que teve dificuldade de encontrar um arquivo digital no telefone ou no computador.

O termo “acumulador digital” é um nome utilizado apenas no meio digital, mas não é um termo utilizado na ciência psicopatológica. No entanto, esse fenômeno nos remete, por analogia, ao transtorno de acumulação. A característica principal do transtorno é a dificuldade que o indivíduo tem em descartar ou se desfazer de pertences, independentemente do seu valor real.

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