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Cirurgias de amígdalas podem ser evitadas com tratamento

Publicada dia 07/02/2019 às 19:30:48

Thaís Balielo

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As cirurgias de amígdalas ou adenoides são relativamente comuns, mas o dentista Rogério Martins explicou que estes procedimentos podem ser evitados em 99% dos casos. Ele utiliza um tratamento com aparelhos que prometem resultados rápidos.

As amígdalas são um tipo de gânglios linfáticos e têm como principal função a produção de anticorpos para o combate aos micro-organismos causadores de doenças respiratórias. As adenoides são tecidos linfáticos que fazem parte do sistema imune. “São a primeira e principal linha de defesa do sistema imunológico respiratório. Elas se desenvolvem entre os 3 e 5 anos de idade, devendo regredir por volta dos 6 a 7 anos em crianças com respiração normal”, explica.

Rogério garante que as cirurgias devem ser evitadas. “A cirurgia implica em remover a parte mais importante do sistema imunológico, causando com isso o aumento do consumo de antibióticos para tratar infecções que, provavelmente, não se manifestariam com as amígdalas e adenoides funcionando normalmente”, afirma.

Para o dentista, a cirurgia só é necessária quando o paciente possui problemas crônicos de alergias ou foi diagnosticado tardiamente. “Tenho casos de adolescentes que tiveram melhora significativa respiratória. Quanto mais cedo diagnosticado, melhor”, garante.

Para o diagnóstico do problema, Rogério explica que os sintomas são facilmente percebíveis. São crianças que respiram pela boca, excesso de olheiras, dificuldade em engolir alimentos (sempre aparentam estar sufocados quando tentam engolir), dificuldade com a fala (língua presa), excesso de infecções de garganta ou ouvido, nariz sempre entupido, rinite e sinusite, além de perturbação do sono (ronco e apneia).

O dentista explica que o problema é uma questão ortopédica. “São os ossos da face que estão se desenvolvendo de maneira incorreta, devido a respiração anormal. Quando não se respira pelo nariz, o palato (céu da boca) não se desenvolve, impedindo a passagem do ar. O ar entrando pela boca não é filtrado e nem aquecido pelos seios nasais, ocorrendo um excesso de acúmulo de microrganismos nas amígdalas e adenoides, sobrecarregando as suas funções e aumentando o tamanho e volume dos mesmos, prejudicando ainda mais a respiração.

Estas pessoas são diagnosticadas, com hipertrofia de amígdalas e adenoides. É nessa fase que ocorrem as cirurgias desnecessárias”, afirma.

O tratamento é feito com o uso de aparelhos ERM (Expansão Rápida da Maxila). São aparelhos ortopédicos funcionais fixos, usando a dentição como apoio. São indolores e de fácil utilização e adaptação pelo paciente. “Os aparelhos atuam afastando os ossos maxilares em seu centro, assim o palato vai para o lugar correto e libera a passagem de ar pelo nariz. Com o ar sendo filtrado e aquecido, as adenoides e amígdalas voltam a sua função normal. A idade ideal é de 5 anos, porém já tratei crianças com 3 e 4 anos de idade. Quanto mais precoce, melhor”, diz.

O dentista garante ainda que já se nota melhora significativa nos primeiros 15 dias, porém o tratamento completo dura até 12 meses. Rogério lamenta que receba muitos pacientes com idade avançada com este problema. “Existe um tabu que deve e necessita ser quebrado. Os dentes nada têm a ver com o problema, é a má formação dos ossos que causam os problemas com o posicionamento dos dentes. Com a correção da maxila, provavelmente todos os dentes nascerão em seus devidos lugares, e muitos casos não necessitam usar aparelhos ortodônticos na adolescência”, relata.

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