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“Ele retirou dinheiro da Câmara e pôs no bolso”, diz Gimenez sobre Edvaldo Godoy

Publicada dia 28/08/2020 às 16:39:29

Jornal Atual

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Diego Singolani


O ex-presidente da Codesan, Claudio Agenor Gimenez, afirmou que o vereador e pré-candidato a vice-prefeito Edvaldo Godoy deveria ter sido cassado quando ocupou a presidência da Câmara em meados dos anos 2000. Gimenez relembrou que, na época, Godoy autorizou retiradas de valores em caráter de adiantamento salarial e empréstimos aos vereadores, sendo alvo de procedimento do Ministério Público e apontamento do Tribunal de Contas do Estado. “Ele retirou dinheiro da Câmara e pôs no bolso dele. Isso é ilegal. Imoral. Deriva ter sido cassado. Se fosse hoje dava até prisão”, disparou.

As declarações foram dadas durante entrevista à rádio Band FM na quinta-feira, 20, quando Gimenez foi convidado para falar sobre a decisão da promotora Paula Bond de arquivar o inquérito do MP que apurava denúncias de pagamentos de horas extras não trabalhadas na Codesan. De acordo com o despacho da promotora, como a própria Codesan, hoje autarquia municipal, possui competência e moveu uma ação civil pública visando o ressarcimento dos danos ao erário, o MP seguirá acompanhando o processo apenas como fiscal da lei. Esta promoção de arquivamento de inquérito ainda deve ser homologada pelo Conselho Superior do Ministério Público do Estado de São Paulo. Na prática, a promotora concorda com os argumentos da ação movida pela Codesan que responsabiliza apenas os gestores que passaram pela empresa entre os anos de 2003 e 2013. A CPI que investigou o caso na Câmara, porém, imputou irregularidades a Claudio Gimenez, que assumiu a presidência em 2015. 

De acordo com Gimenez, a decisão da promotora confirma que o presidente da CPI, o vereador e pré-candidato a prefeito Luciano Aparecido Severo, mentiu durante os trabalhos e tentou usar a investigação para alijá-lo politicamente. Ao longo da entrevista à Band, Gimenez revelou que pretendia ser candidato a prefeito nas eleições deste ano pelo PSOL, seu novo partido, após deixar as fileiras do PT. Entretanto, situações envolvendo a pandemia do novo coronavírus teriam inviabilizado seus planos. Ao ser questionado sobre quem irá apoiar nas eleições, Gimenez foi comedido na resposta e disse que ainda precisa conhecer melhor as propostas dos candidatos. Em relação ao ex-secretário da Saúde Diego Singolani, nome escolhido pelo grupo do prefeito Otacílio para disputar a sucessão, Gimenez afirmou que “votaria de olhos fechados”, pois conviveu com mesmo durante sua passagem pela Codesan e conhece seu potencial. Entretanto, ao se referir ao vice da chapa governista, o vereador Edvaldo Godoy, o ex-presidente da Codesan disparou que não o apoiaria de jeito nenhum. “Nem para prefeito, nem para vice, nem para vereador, nem para nada na política de Santa Cruz”, afirmou. “Quando ele (Edvaldo Godoy) se elegeu vereador pela primeira vez e foi eleito presidente da câmara pelos colegas, ele fez uma coisa que nenhum gestor público pode fazer. Ele retirou dinheiro da Câmara e pôs no bolso dele, a título de empréstimo e adiantamento. Só parou quando o TCU disse que isso era proibido e o MP também apurou”, declarou Gimenez. “Você imagina se hoje o presidente da Câmara colocasse R$ 5 mil no bolso e escrevesse em um papel que era um adiantamento. Se fosse hoje dava cassação, até prisão. Ele deveria ter sido cassado. É ilegal, imoral. Só porque você tem o poder vai e coloca a mãozona lá? Não pode. Como eu vou apoiar uma pessoa dessas?”, disse.

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