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Projeto Padrinho Virtual aproxima voluntários e crianças do Frei Chico durante a pandemia

Publicada dia 01/08/2020 às 17:31:02

Reprodução

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Diego Singolani


Em tempos de pandemia e quarentena, o contato entre as pessoas se tornou praticamente um risco à saúde pública. A situação é especialmente delicada no caso de instituições como abrigos, que buscam no seu dia a dia ajudar crianças e jovens a reestabelecer vínculos afetivos interrompidos. Em Santa Cruz do Rio Pardo, a Casa da Criança Frei Chico está utilizando a tecnologia para superar o isolamento social. Através do projeto Padrinhos Virtuais, voluntários dedicam um tempo de sua rotina para conversar e trocar experiências com os moradores da casa por videochamada.

Desde o início da quarentena, a equipe do Frei Chico já havia desenvolvido um projeto de correspondência com o abrigo de Ipaussu. Porém, houve um entendimento de que o contato das crianças e jovens precisava ser ampliado, mesmo que de forma virtual. Foi quando a 1ª vice-presidente da instituição, Ana Paula Tondim Stramandinoli, convidou alguns voluntários para participar do Padrinhos Virtuais. “Eu confesso que, quando me foi passado sobre o projeto, achei que seria mais fácil angariar os padrinhos, mas não foi. As pessoas estão muito fragilizadas por conta da pandemia ou mesmo temem não saber se relacionar com as crianças e adolescentes tão sofridas, não se sentindo capazes de oferecer a elas uma palavra de conforto e carinho”, afirma Ana. Apesar da dificuldade, o projeto vingou. São 15 crianças e adolescentes e dezenas de padrinhos e madrinhas, já que em algumas chamadas a família toda dos voluntários participa. 

Desde o dia 23 de março a Casa da Criança Frei Chico está em isolamento. O objetivo do projeto é fazer com que os moradores passem por este período de uma forma mais amena, mantendo o relacionamento social, mesmo que limitado ao meio virtual. “Alguns padrinhos já tinham contato com as crianças, outros sequer se conheciam. Mas nas conversas, parece que se conhecem há muito tempo. As conversas versam sobre tudo o que se pode imaginar, mas soube de uma conversa que aconteceu e a adolescente depois veio me contar. A madrinha virtual dela quis mostrar a casa onde vive, então saiu na calçada, com o celular na mão e chamada virtual rolando, tocou a campainha, como se fosse a adolescente, apresentou os familiares,  os cômodos da casa e combinaram que em uma próxima chamada seria a adolescente que mostraria sua casa”, revela Ana Paula. 

Impacto da crise

A adaptação da Casa da Criança Frei Chico ao atual cenário não tem sido fácil. A instituição optou por manter um número reduzido de funcionários em contato com as crianças e adolescentes e ninguém de fora entra. “Estamos tomando todas as precauções necessárias em relação à saúde dos residentes. Quanto aos recursos, sofremos uma queda brutal na doação vinda de particulares, e também de nossas promoções, já que muitas não podemos realizar, devido à pandemia. Mas acreditamos em Deus e tudo vai passar”, disse Ana Paula.

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