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Mecânico monta “varal solidário” para doações de roupas

Publicada dia 22/08/2020 às 12:18:32

Isadora Iaroseski

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Diego Singolani


Quem tem para doar, pendura; quem precisa, pega e leva para a casa. Essa é lógica simples e eficaz do “varal solidário”, iniciativa de um mecânico da Vila Saul que tem ajudado pessoas que necessitam de doações de roupas. Diariamente, novas peças são colocadas no varal por quem passa em frente à oficina e qualquer um pode retirar aquilo que lhe é útil, sem burocracia ou constrangimentos. Mais do que uma ação de solidariedade, o varal pode ser encarado como um experimento social: as pessoas colaboram e agem de maneira correta sem a necessidade de nenhum “fiscal”. 

De acordo com Ediberto Ferreira de Barros, o Mineirinho mecânico, os vizinhos da oficina apoiaram sua ideia, colocando roupas no varal ou levando direto para ele. “O pessoal tem respeitado o varal, até me admirei. Eles olham: se não serve, não leva. Tem algumas pessoas que pegam algumas roupas ou acessórios e deixam suas doações, fazendo uma troca. Essa é a ideia, fazer com que as pessoas se solidarizem com o próximo”, diz Mineirinho. Casado e pai de dois filhos, o mecânico está há 12 anos no mesmo endereço na rua Benedito Demétrio Dias, Vila Saul. Ele conta que a ideia surgiu com o intuito de ajudar quem realmente mora naquela região. “Eu tinha em casa umas roupas para doar na campanha do agasalho. Iria colocar nessas caixas que estavam no mercado em frente à oficina. No dia em que iria doar as roupas que minha esposa tinha separado, vi uma senhora escolhendo algumas da caixa do mercado e aí pensei na hora: porque em vez de colocar lá, que vai para longe da vila, sendo que aqui temos pessoas que precisam?”. O mecânico, então, comprou a corda de varal, pediu para o filho fazer um cartaz e assim começou a história, há cerca de dois meses. “Graças a Deus conseguimos esquentar muitas pessoas e são roupas muito boas. Quando vejo que tem alguma que não dá pra usar, eu retiro do varal”, diz. “Esses dias eu estava no escritório quando uma mãe e sua filha de uns cinco aninhos chegaram. A criança me deu um abraço e tudo aquilo valeu muito a pena”, declarou o mecânico. 

Mineirinho revela que, na infância, passou por muitas dificuldades - inclusive fome. As agruras da vida também lhe fizeram querer ajudar ao próximo, da maneira que pode. “Quando eu ganhava uma roupa ou brinquedo ficava muito feliz. Hoje, graças a Deus, sempre que posso tento ajudar alguém, seja com cestas básicas ou roupas. Isso é muito bom pra quem recebe é muito gratificante para quem doa. Isso é ter empatia pelo próximo. Quando alguém pega uma roupa e sai contente, me lembro de quando eu precisava e ganhava. Quero que as pessoas também doem e sintam um pouco dessa alegria”, diz o mecânico.

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