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“Fiz da tela meu palco”

Publicada dia 16/04/2020 às 12:07:01

Arquivo Pessoal

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Diego Singolani


Em um período de quarentena e isolamento, artistas têm utilizado as transmissões ao vivo pelas redes sociais para entreter seus fãs e até mesmo minimizar os prejuízos com o cancelamento de shows. Com milhões de acessos e grandes patrocinadores, o fenômeno das lives se tornou um lucrativo nicho de mercado durante a pandemia. Há também os cantores que têm apoiado causas sociais, como a sertaneja Marília Mendonça que na quarta-feira, 8, bateu o recorde mundial no YouTube ao ter mais de 3,2 milhões de espectadores ao vivo lhe acompanhando. O valor arrecadado com a monetização da live, segundo a cantora, será revertido para ações de enfrentamento à Covid-19 no Brasil.

Na região, alguns artistas também seguem a tendência. A cantora Debora Catalano, com mais de 30 anos de carreira, tem promovido suas apresentações na internet junto com o esposo, o músico Wesley Paixão. Debora afirma que o impacto da quarentena no mercado é bastante sensível. Ela conta que estava com a agenda completa até o mês de junho e que já teve 20 shows cancelados desde o início do isolamento. Apesar do prejuízo financeiro, Debora diz que o mais difícil para ela é a distância do público. “Canto com a alma. Gosto da proximidade com o público, de interagir. Eu vou de mesa em mesa, cumprimento, sou muito carinhosa. Eu sinto falta do olho no olho, de cantar pertinho, de sentir o arrepio, a emoção das pessoas que choram e agradecem. Sinto falta do amor presente neste momento de troca”, declarou. Wesley Paixão acredita que o momento pode servir de estímulo para os músicos da região assimilarem a importância das redes sociais para o trabalho do artista. “Nós começamos a investir na nossa página no Facebook um pouco antes de estourar a pandemia. Hoje estamos colhendo os frutos. Além das lives, aproveitamos o tempo para produzir conteúdo também para o canal no YouTube e Instagram. Queremos diversificar mais adiante, fazendo entrevistas com artistas da região”, afirmou. Debora é otimista e acredita que após este momento de transição as pessoas passarão a valorizar mais a classe artística. “Somos os primeiros a levantar o astral de todo mundo. Somos instrumentos para que as pessoas fiquem felizes. Essa uma missão maravilhosa. Espero que haja mais valorização e apoio aos artistas”, disse a cantora.

O músico Diego Catalano, 22, é um adepto das mídias sociais para a divulgação de seu trabalho desde muito antes da crise do coronavírus. Ele mantém ativos e com conteúdos atualizados seus perfis no Facebook e Instagram, além do canal no YouTube. “Independentemente da área, hoje em dia o profissional que quer mostrar seu trabalho tem que estar na rede”, diz. Diego faz em média 15 shows por mês. Desde o início da quarentena, com a agenda vazia, o músico tem se dedicado a produção de algumas lives em parceria com o bar Sarau, de Ourinhos. Nas mídias sociais do estabelecimento, Diego faz suas apresentações e também organiza uma agenda com outros músicos da região. “Ficar longe dos palcos é muito difícil. A live também funciona com uma válvula de escape”, desabafou. Diego se diz um entusiasta da lives, mas pontua que os artistas consagrados acabam dominando todo o público, o que dificulta a vida dos amadores. “Isso é natural. O artista tem que atender seu público e os fãs querem acompanhar seus ídolos. Só que, muitas vezes, a pessoa poderia estar acompanhando a live do músico amigo, que toca no barzinho que ela frequenta. Faz parte”, disse.

Em nova fase na carreira, o sertanejo Vinicius Viol também tem investido pesado nas redes sociais, inclusive com uma assessoria de marketing que atua com nomes como Antony e Gabriel, Cacio e Marcos e Conrado Bueno. Na quinta-feira, 9, Vinicius participou da Live do Bem, uma iniciativa do empresário Felipe Catalano e parceiros, que, além de promover o show do cantor pelo Facebook, arrecadou cerca de 1 tonelada de alimentos em doações que serão entregues a famílias carentes de Santa Cruz do Rio Pardo.

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