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Ter um bebê em meio à pandemia gera novas angústias às mães

Publicada dia 17/12/2020 às 11:12:04

Arquivo pessoal

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Thaís Balielo


A gestação é uma época muito especial para a mulher, mas também costuma gerar muitas expectativas. Como lidar com um bebê tão pequeno? Como vai ser o parto? Vou conseguir amamentar? Agora, as mulheres que estão tendo bebês em meio à pandemia estão tendo que lidar com o medo da contaminação e com a solidão de não poder receber visitas ou acompanhantes permanentes.

Na Santa Casa de Santa Cruz do Rio Pardo, a enfermeira obstetra Thaís Bette explica que novos protocolos foram criados para os partos e cuidados com as mães neste período. Ela afirma que a ala da maternidade está isolada dos pacientes de Covid, e o cuidado com o uso de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) foi redobrado. Uma das grandes mudanças é que as mulheres têm que passar o trabalho de parto sem acompanhante. O pai ou quem for acompanhar o parto só pode entrar no momento do nascimento, ficar por um período curto e ir embora.

“O acompanhante só pode ficar nos quartos particulares, mas nos coletivos não é possível por conta da aglomeração. Algumas mães ficam ansiosas por não poderem ter acompanhante, mas a maioria entende”, revela. Sem a rede de apoio dos acompanhantes, as mães também estão precisando do apoio das enfermeiras. “Estamos trabalhando muito mais, pois estamos mobilizadas para ajudar ainda mais as mães com os cuidados com os bebês”, afirma.

A professora Iasia Mayara Sanches Eleodoro, 33, teve sua segunda filha Beatriz há quase um mês e sentiu a diferença do parto da primogênita Melissa de 1 ano e oito meses. “Todo nascimento pede um cuidado e um resguardo com o bebê como poucas visitas até o bebê tomar as primeiras vacinas. Mas com a segunda filha sentimos um impacto maior”, diz.

Iasia revela que durante quase toda a gestação passou dentro de casa. “Poucas pessoas me acompanharam neste processo, e isso fez falta. Não teve o contato, a companhia. Depois o parto e o período no hospital, fomos só meu marido, eu e a bebê. Sem a visita dos avós e padrinhos”, relata.

Com a primeira filha, Iasia conta que já receberam visitas de familiares e amigos próximos ainda no hospital, o que não ocorreu com a Beatriz. “Agora no puerpério estamos seguindo os protocolos tanto quanto seguimos com a primeira, mas é claro que existe o medo, o receio desse vírus e suas consequências”, diz.

O chá de bebê que não era recomendado nesta época, Iasia não sentiu falta, pois também não fez o evento na primeira gestação. “O que senti falta foi do contato com as pessoas, do ambiente do trabalho e das crianças da escola. Ficar isolada em casa, em home office, com receio desse vírus, vendo as consequências que o isolamento social causou na vida das pessoas (depressão, desemprego) foi muito difícil”, pontua.

A filha mais velha ainda não ia à escola, mas iria começar em agosto deste ano. “Não vejo a hora da retomada das atividades escolares (desde que haja segurança, é claro!), porque com esse isolamento ela só teve convivência comigo, o pai e ficou um bom tempo sem ir à casa dos avós. Ela adora crianças, brincar, rir e correr com elas, mas vai precisar aguardar um pouco mais para ter convivência com elas. Nem seu aniversário de 1 ano tivemos comemoração. Foi um bolo e parabéns entre nós mesmos”, lamenta.

A manicure Camila Scatamburlo Ferdin, 32, também teve seu segundo filho em meio à pandemia. Francisco acabou de completar quatro meses e seu filho mais velho João Pedro tem 14 anos. “Descobri a gravidez em dezembro e não me cabia o tamanho da felicidade. Foi planejado e tudo como eu esperava. Passou alguns meses e o Covid-19 foi se agravando e meu medo cada vez mais tomando conta”, revela.

Camila precisou parar de trabalhar por ter uma gravidez de risco. “Isso me afetou muito, psicologicamente e financeiramente. Muito ruim ficar presa dentro de casa sem sair, sem poder estar com minha família. Cada dia era preocupante vendo noticiários que me deixavam abalada”, conta. Com o passar do tempo ela voltou a atender cerca de 40% das clientes e seguindo todos os protocolos.

“O final da gestação foi bem angustiante, pois meu marido não poderia estar comigo no momento do parto, e nem poderia ver o nosso Francisco quando nascer. Teve toda a restrição no hospital, que eu teria que ficar só sem acompanhante. Bateu sim o desespero, mas Deus me acompanhando a todo o momento”, afirma.

Francisco ficou seis dias na UTI após o nascimento e aumentou ainda mais a angústia da mãe. “Tudo passou e ficamos bem. Em casa cuidados maiores por ele ser bebê, não pudemos ter visitas. Até hoje, ele já com 4 meses, tomo todas providências necessárias. Não podemos nos descuidar, pois o vírus não acabou”, lembra.

Esperando o primeiro filho, a secretária Thaís Theodoro Ceccatto, 30, passou por todas essas incertezas e medos no nascimento do filho Bernardo em julho deste ano. Ela e o marido testaram positivo para o coronavírus logo após o nascimento do filho. Ela teve os primeiros sintomas da doença na semana que ia ter o bebê, mas teve o diagnóstico confirmado quando já estava em casa com Bernardo.

O medo de passar o vírus para a criança foi grande, mas Thaís conta que abusava do álcool em gel e não tirava a máscara perto do bebê, principalmente no momento de amamentar. Thaís não teve sintomas graves, apenas tosse e perda de olfato e paladar. “O mais difícil foi manter o distanciamento. Era uma dor no peito de não poder dar um beijo um cheirinho nele. Mas hoje o que não falta é muitos beijos e carinho para o pequeno! E claro todo cuidado do mundo”, garante.

Thais conta que não fez chá de bebê e nem chárreata por motivos de segurança, mas trabalhou até na semana do parto. “Sempre segui todas as precauções. O medo maior de pegar a doença era o de passar para o bebê, mas isso não ocorreu”, afirma.

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