Abuso infantil: como agir diante de uma revelação
O impacto de uma revelação de abuso infantil pode gerar desespero, mas a reação dos responsáveis nos minutos iniciais é decisiva para o bem-estar da vítima. Segundo o psicólogo Vinicius Blasio, o foco deve ser o suporte emocional e a escuta ativa. “Acima de tudo os pais precisam acolher a criança. Oferecer escuta empática para que ela possa se abrir sem se sentir culpada, julgada, com medo ou vergonha. Os pais precisam estar inteiros para acolher essa criança”, afirma o especialista. Após esse acolhimento inicial, o foco deve se voltar imediatamente para o cuidado com a saúde física e mental, buscando auxílio profissional especializado.
O psicólogo alerta para erros graves que podem revitimizar a criança. É fundamental validar o discurso do menor e jamais questionar a veracidade do relato. “Escute o discurso da criança e valide suas palavras. Existem pais que não acreditam na criança fazendo com que ela se sinta sozinha para lidar com o trauma. Se a criança trouxer algum indício de que algo não está indo muito bem, os pais precisam lhe dar ouvidos”, pontua Blasio. O especialista enfatiza que o abuso nunca é culpa da criança, mesmo que o choque inicial leve alguns responsáveis a reagirem com julgamentos indevidos.
Mudanças repentinas no cotidiano podem ser indicadores importantes de que algo está errado. Conforme explica Blasio, qualquer alteração comportamental merece atenção, podendo indicar abuso ou outros tipos de violência. Sinais como tristeza, medo de pessoas ou lugares específicos, dores físicas sem causa aparente, pesadelos frequentes ou comportamentos sexuais precoces são alertas vermelhos. A prevenção, portanto, passa por um ambiente familiar sem tabus. “A sexualidade não pode se tornar um tabu dentro da família, numa casa onde a sexualidade é um tabu a criança está desprotegida”, diz. O diálogo sobre limites e emoções deve ser construído de forma contínua e respeitosa.
Após o acolhimento, o protocolo exige medidas de segurança rigorosas. É necessário afastar a criança do agressor e acionar o Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente. Isso inclui procurar a Polícia, o Ministério Público, o Conselho Tutelar e os órgãos de assistência social. Em caso de dúvidas, o psicólogo reforça que os pais devem buscar orientação profissional capacitada.
