Santacruzenses gastaram R$ 36 milhões em apostas online em 2025
O avanço das plataformas digitais de apostas esportivas e jogos online, conhecidas como bets, deixou uma marca expressiva na economia de Santa Cruz do Rio Pardo. Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) referentes ao ano de 2025 mostram que os moradores apostaram um total de R$ 36.738.108,24. No mesmo período, os prêmios pagos somaram R$ 33.268.595,02, o que resultou em uma perda líquida, o montante que efetivamente deixou a economia local rumo às empresas de apostas, de R$ 3.469.513,22.
O levantamento aponta que 11.868 CPFs únicos da cidade foram cadastrados em plataformas do setor, o equivalente a cerca de um quarto da população total do município, que segundo o IBGE, tem a população estimada em 47,7 mil habitantes. Individualmente, a média de gastos por ano de CPF alcançou R$ 3.095,56, o que representa um desembolso médio de R$ 257,96 mensais por apostador registrado.
A saída de capital ocorre em um cenário de forte pressão sobre as empresas locais. Dados do Data Sebrae indicam uma curva ascendente e contínua no encerramento de atividades corporativas na cidade nos últimos anos. Em 2020, o município contabilizou 386 baixas de empresas. O indicador subiu gradativamente para 529 em 2021, 643 em 2022, 715 em 2023, 776 em 2024 e atingiu o pico de 885 encerramentos em 2025, mesmo ano em que o fluxo financeiro das apostas foi contabilizado. A tendência de retração persiste: até o dia 28 de agosto de 2026, o município já registrava outras 580 baixas de CNPJs.
O perfil dos fechamentos em 2025 revela que o impacto recai de forma majoritária sobre os pequenos negócios. Os Microempreendedores Individuais (MEIs) lideram as estatísticas com 556 encerramentos, o equivalente a 62,8% do total. Em seguida aparecem as microempresas (ME), com 186 baixas (21%), os demais portes com 132 (14,9%) e as empresas de pequeno porte (EPP), com 11 registros (1,24%).
Sob a ótica setorial, o setor de serviços liderou as perdas de CPJs em 2025, com 399 encerramentos, seguido pelo comércio, com 202 unidades fechadas. O ranking de baixas empresariais no período é completado pela agropecuária, que somou 131 encerramentos, o setor de construção, com 80, e a indústria, com 73 estabelecimentos encerrados na cidade.
