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Santa Cruz é terra acolhedora para imigrantes

Publicada dia 28/06/2019 às 17:25:22

Thaís Balielo

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No dia 25 de junho foi comemorado o Dia do Imigrante. A imigração é um fenômeno que ocorre quando há o deslocamento de grupos de indivíduos das regiões e países em que nasceram para terras estrangeiras. O Brasil é um país formado e construído por diferentes nacionalidades, que migraram de seus países com o sonho de obter melhores condições de vida em terras brasileiras. Santa Cruz do Rio Pardo não poderia ser diferente e já acolheu e acolhe imigrantes de diversas nacionalidades.

Nascida em Barretos e sem nenhum laço familiar com Santa Cruz, Maria Cecília Donsbach Camargo veio para Sodrélia em 2000 junto do marido Christoph Donsbach Camargo que nasceu na Alemanha. Eles conheceram o distrito santa-cruzense através do corretor de imóveis que apresentou uma propriedade no local.

Cecília foi para a Alemanha em 1988 onde desenvolveu um projeto por três anos. Quando precisou de alguém para corrigir o alemão de seu relatório final, foi que conheceu Christoph. Logo resolveram ficar juntos e se casaram. Ela chegou a voltar ao Brasil por dois meses, mas logo voltou a pedido de Christoph. “Ele me pediu para terminar meu livro por lá, pois ele iria à falência de tanto ligar para o Brasil”, conta.

Christoph revelou que por volta do ano 2000 sentiu muita vontade de morar no Brasil. Ele revela que a Cecília não estava muito entusiasmada, mas resolveram tentar construir uma vida aqui. “Em Santa Cruz não temos laços familiares. Foi o corretor de imóveis que nos mostrou uma terra aqui, a gente gostou e ficou”, revela.

Sobre como foi a adaptação em um novo país, Christoph afirma que Cecília já tinha uma noção do que ia encontrar, ao contrario dele. “Como fomos recebidos pelo povo santa-cruzense com muita cordialidade a adaptação não foi difícil. Senti muito boa receptividade e paciência com quem ainda não dominava o português”, relata.

Questionado sobre qual a maior dificuldade de viver no Brasil, Christoph reclama do “jeitinho”. “Hoje depois de quase 20 anos vivendo no Brasil sei que muitos brasileiros também sofrem com certas imperfeições e disfunções. No meu início aqui, não percebi que não era o único discordando com isso. Esse jeitinho sem dúvida tem um lado simpático, humano, mas não sei se o estrago que causa no decorrer do tempo apaga este lado simpático”, diz.

Refúgio

Além dos imigrantes que vem para o Brasil por vontade como Christoph, existem os casos de necessidade de sair de sua terra natal e não ter muita escolha. É o caso dos sócios Husam Halo e Rania Abi Khalil que vieram da Síria refugiados da guerra em sua terra natal.

Sócios em uma loja de artigos esportivos na Síria, Husam, Rania e suas famílias saíram da Síria com destino ao Brasil juntos. Por uma série de fatores foram parar em Avaré por alguns dias, depois em Assis um libanês falou de uma cidade pequena chamada Santa Cruz e o aconselhou a procurar. Resolveram conhecer e acabaram ficando.

Husam conta que tiveram diversas dificuldades no início, principalmente para alugar uma casa. A questão da documentação, conseguir fiador, foi difícil, mas puderam com a ajuda de muitas pessoas que se tornaram amigos deles até hoje.

Além de sócio de Raina na Síria, Husam também exercia sua profissão de advogado naquele país. No Brasil ele está buscando validar seu diploma para poder exercer sua profissão aqui.

Sem muitas opções de trabalho, Husam e Raina resolveram continuar sua sociedade em Santa Cruz. Eles montaram um negócio de comida Síria que vem fazendo muito sucesso na cidade. Eles fazem e vendem comidas típicas de sua terra. Além de terem pontos de venda específicos como a Feira da Lua, às quartas-feiras, eles vendem seus produtos em algumas lanchonetes e também aceitam encomendas para festas ou eventos particulares.