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Carlos Alberto de Nóbrega diz que humor na TV aberta caminha para buraco

Publicada dia 24/06/2021 às 14:14:06

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Dois bancos, distanciamento e piadas sem risada. As mudanças no formato de A Praça É Nossa (SBT) por causa da pandemia não têm agradado totalmente Carlos Alberto de Nóbrega, 84, comandante da atração há quase 35 anos.

Em conversa com a Folha de São Paulo, Nóbrega diz que levou um susto quando conseguiu retornar aos estúdios da emissora de Silvio Santos e se deparou com uma série de mudanças. Embora necessárias, na avaliação dele, as alterações prejudicaram o clima do humorístico.

"Foi muito difícil, pois existem protocolos rígidos a serem seguidos. Só que isso tira muito do clima gostoso que tínhamos, da alegria e das brincadeiras. Está tudo diferente. Isso me atrapalhou muito. Sinto falta do calor humano e das risadas que nos ajudavam."

Ele revela ainda outra situação que também o assustou. Quando dois colegas de elenco receberam diagnósticos positivos de Covid-19 nos exames de rotina no canal —Giovani Braz, que interpreta o bêbado Saideira, e o comediante Diogo Portugal. Eles não tiveram sintomas graves da doença.

Agora, o apresentador senta em um banco e o colega comediante em outro. "Eu sentado naquele banco não tinha posição. Ficou complicado. Na quinta-feira [10 de junho], eu cancelei a gravação. Não tinha clima para gravar."

Carlos Alberto de Nóbrega conta que sempre começa as filmagens contracenando com o humorista Matheus Ceará. Porém, não tinha as risadas da plateia nem as gargalhadas colocadas pela produção para conduzir as esquetes e nortear os momentos de graça.

"Ninguém pode imaginar o quanto eu senti. O riso é o aplauso do comediante. Fiquei apavorado. Não tínhamos artistas nem para completar os 72 minutos no ar que eu tenho na programação", desabafa. A questão das risadas, diz ele, já foi solucionada.

Outro fator bastante sentido por ele foi o distanciamento. A partir de agora, todos têm um camarim próprio cujas portas ficam abertas o tempo todo. Nóbrega também não pode mais passar o texto com cada comediante como era de praxe.

Na dinâmica de A Praça É Nossa, os estúdios recebem menos câmeras e cada comediante entra sozinho para ficar ao lado de Nóbrega. Nesse retorno de inéditos, a audiência tem sido em torno de seis pontos na Grande SP (cada ponto do Kantar Ibope equivale a cerca de 76 mil domicílios). E o apresentador conta que começou a chamar gente de fora para incrementar o humorístico.

Entre as novidades estão os humoristas de stand-up comedy Mhel Marrer e Cris Pereira. A participação de ambos tem agradado ao comandante que quer inovar ainda mais o elenco. "Queria trazer Moacyr Franco, conversei com ele, mas o financeiro não encaixou. Convidei Fábio Rabin, mas não rolou por algum motivo. O ruim de parar é que na volta o público quer novidades e os quadros antigos ao mesmo tempo."

Apesar disso, outra dificuldade é acertar a mão nas piadas em plena pandemia. "O humor na TV aberta está indo para o buraco. Acabaram os caras engraçados. A gente já luta contra o politicamente correto. Hoje tudo é agressivo, preconceituoso", diz o artista.

Mesmo com todas as mudanças, o apresentador diz que poder trabalhar é uma bênção. Ele já foi vacinado contra a Covid e pôde retornar após a segunda dose —o humorista ficou de 15 de março de 2020 até o começo de maio em casa. “Por duas vezes eu quase implorei para voltar até que Silvio Santos proibiu a minha entrada. No bom sentido, é claro."

Apesar de todos os cuidados, Carlos Alberto de Nóbrega contraiu a Covid-19 em fevereiro e teve de ficar alguns dias internado. Ele diz que não teve quase nenhum sintoma durante dez dias, apenas uma febre leve. Só que no retorno ao trabalho ele tem sentido algumas sequelas do coronavírus.

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