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Bar do Gildo completa 50 anos de atividade em 2021

Publicada dia 12/04/2021 às 11:48:50

Thaís Balielo

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Thaís Balielo


Um dos mais tradicionais da cidade, ainda com seu baleiro de vidro, as famosas caipirinhas e os doces que marcaram a infância de muitos santa-cruzenses, o Bar do Gildo completará, em maio, 50 anos de atividade. Um bar familiar, tanto pelos clientes quanto na administração, o casal Gildo e Terezinha tocaram por muitos anos e agora a filha Fernanda é quem cuida do bar. Ela herdou a receita da caipirinha do pai e a dos doces da mãe. Aliás, muitos clientes afirmam que ela ainda conseguiu superar os mestres.

Ermenogildo José Bacochini, 78, teve paralisia infantil e conta que sempre foi o protegido entre os 14 filhos de seus pais. Gildo sempre disse aos pais que tinha o desejo de ter um bar, quando tinha cerca de 30 anos, os pais venderam uma casa para comprar um bar para o filho trabalhar com a irmã. Após se casar com Terezinha Mendes Bacochini, hoje com 81, fez uma proposta para a família e comprou o bar pagando parcelado.

O primeiro bar ficava na rua Euclides da Cunha, onde permaneceu por 13 anos. Durante este período comprou um terreno na Simão Cabral e foi construindo aos poucos o novo bar. A irmã fazia uma coxinha que era muito famosa, sua caipirinha também era muito procurada e até hoje é pedida, mas agora quem faz é a filha Fernanda.

Em época de repressão Gildo lembra que a polícia coibia o jogo de baralho. “O bar fazia campeonatos de jogo de truco, não tinha jogo a dinheiro, era só diversão, tinha disputa entre outros bares, mas tinha que ter cuidado com a polícia. O próprio policial que frequentava o bar ajudava, ele avisava o dia que a polícia ia passar para colocarmos baralho velho, porque a polícia recolhia o baralho”, relata.

Quando Gildo mudou o bar para a rua Simão Cabral foi um tiro no escuro. O local ainda era ermo e chegou a sofrer ameaças por um “valentão” da área que queria que abrisse o bar, que vendesse de graça. Porém o problema acabou com a abertura da ponte e do bairro Jardim Ipê que modificou totalmente o fluxo da rua.

Desde criança as filhas se envolveram com o bar, a mais velha Elis Angela ajudava a espremer limão para a caipirinha do pai, depois a caçula Fernanda foi que mais se envolveu com o bar até chegar a ficar totalmente a frente do negócio atualmente.

Gildo conta que em um passeio com a família para Barra Bonita tomou uma caipirinha no navio que era com o limão espremido e com leite condensado, diferente da tradicional que fazia. Então incorporou a receita em seu bar e passou a chama-la de “do navio”. Os clientes por muitos anos pediam a caipirinha do navio, mas o nome acabou caindo em desuso atualmente.

Elis Angela ajudou mais durante a época do bar na Euclides da Cunha. Hoje ela tem outra profissão, mas conta que o bar é muito importante para toda a família. “O bar estando aberto, a vida da gente é diferente. O bar estando fechado parece que fica tão triste”, diz.

Gildo conta que sua paixão por bar começou por volta dos sete anos de idade quando o pai ia fazer compras na cidade e o deixava no bar do amigo Antônio Raimundo. “Eu ficava lá batendo papo enquanto meu pai fazia as compras e já dizia que queria um bar para mim. A felicidade de ter o bar é conhecer pessoas, conhecer histórias, clientes de uma geração para outra, ver os filhos dos clientes crescerem. Para eu me sentir bem tenho que estar no bar, gosto de ver gente”, afirma.

Devido a paralisia infantil, aos 4 anos Gildo não andava, precisava de auxílio de um carrinho de madeira. “Um dia meu pai chegou em casa e abandonei o carrinho e fui ao encontro dele. Tive muitos milagres na minha vida”, acredita.

Outra conquista que Gildo atribui a sua fé é ter as duas filhas morando uma de cada lado de seu bar. Quando comprou o terreno do bar, sempre teve o pensamento que um dia teria as filhas uma de cada lado, mas não tinha dinheiro para comprar os terrenos. Os vizinhos sabiam do desejo dele de ter as filhas ao lado e quando quiseram vender ofereceram primeiro para ele. Então, uma em cada época, pode ajudar as filhas a comprarem os terrenos. Hoje elas moram todas juntas, com os netos, e as casas interligadas por um corredor no fundo do bar.

Depois da tradição das coxinhas de sua irmã no bar do centro, o bar onde é hoje passou a ser conhecido também pelos doces de sua esposa Terezinha. Começou com algumas opções e o cardápio foi aumentando. Cajuzinho, doce-de-leite, cocada, paçoca, pudim, são algumas das opções que muitas famílias compraram por anos para adoçar as sobremesas de domingo. Gildo conta que o amendoim salgado também vende muito e tudo começou com uma dica de um cliente que já tinha tido bar. “Dedé estava no bar e me disse para fazer o amendoim salgado que ele fazia que nunca mais ia parar de vender, e realmente aconteceu isso”, relata.

Os doces da Terezinha, que hoje são feitos pela filha Fernanda já chegaram até a fazer viagem internacional. Teve um cliente que comprou e escondeu na bagagem para visitar parentes em outro país.

Fernanda começou a ajudar a mãe na cozinha do bar há quase 10 anos, mas há cerca de quatro anos quando a mãe quebrou o fêmur, passou a fazer os doces sozinha e não parou mais. Ela conta que, em algumas receitas, teve mais dificuldade de fazer ficar igual ao da mãe, mas logo pegou o jeito. Já a caipirinha que o pai ensinou os clientes aprovaram imediatamente e muitos dizem que é ainda melhor que a do Gildo.

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