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Recuperação da Covid não termina na alta

Publicada dia 03/05/2021 às 10:34:26

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Thaís Balielo


Quando temos notícias que um paciente que estava grave por conta da Covid teve alta imaginamos que tudo está bem, mas eles ainda precisam de muitos meses de tratamento para retornar a vida normal. As sequelas da Covid são inúmeras, a maioria é reversível, porém demanda muita fisioterapia e até mesmo um tratamento multidisciplinar.

A fisioterapeuta Bárbara Gonçalves Silva atende diversos pacientes em recuperação pós-covid. “Nos últimos relatos de pacientes e alguns estudos é comum ouvir queixas de fadiga, dificuldade de respirar, redução de força muscular global, dores musculares e nas articulações o que dificulta as atividades de vida diárias que incluem desde a higiene pessoal até o andar”, diz.

Nos casos mais severos é preciso um cuidado multidisciplinar, com fisioterapeuta, fonoaudiólogo, nutricionista, terapeuta ocupacional e ainda ajuda dos profissionais da psicologia e psiquiatria para a ansiedade e depressão.

Uma das pacientes de Bárbara é a cantora Débora Catalano, 49, que ficou 29 dias internada na Santa Casa, sendo 12 intubada. Ela teve alta no dia 4 de abril e está fazendo fisioterapia diariamente. Ela saiu do hospital com uma fibrose que compromete 30% dos pulmões. Na parte motora, o pé direito perdeu parte dos movimentos. Por orientação médica, segue tomando medicações e fazendo fisioterapia pulmonar e para a parte motora.

Ela conta que os primeiros sintomas foram garganta raspando e dor de cabeça, como uma sinusite. Quando seu teste deu positivo, foi orientada a ir para Santa Casa, pois já apresentava bastante cansaço ao mínimo esforço. No hospital, após a tomografia o médico de plantão encaminhou para a internação, pois 50% dos pulmões já estavam comprometidos. No oitavo dia, como a saturação não estabilizava e os pulmões já estavam 80% comprometidos, foi intubada. A extubação aconteceu no dia 25 de março, e, em 24 horas, foi para a enfermaria.

“Quero aproveitar para destacar a importância das orações e vibrações positivas de quem está do lado de fora. Porque eu sentia chegar até mim as energias. De uma forma espiritual, vi e ouvi muita coisa enquanto estava intubada. Lembro de tudo, não falo de conversas ou procedimentos médicos, mas de algo espiritual mesmo, estive em uma batalha muito grande e foram as orações que me ajudaram a vencer. Destaco também o poder do amor e da música. Foi quando ouvi meu filho Diego cantando, (colocaram o celular para eu ouvir) que despertei”, relata.

“No geral minha reabilitação tem sido ótima, pois já consigo dar passos com andador. Vou começar a fazer exercícios de canto com Diego para melhorar essa respiração e o mais breve possível voltar a cantar. A música é muito importante para mim. É minha paixão e minha profissão. Minha maior renda vem da música”, argumenta.

Débora agradeceu, além de Deus, as orações e doações que recebeu. “Serei eternamente grata por tudo. Toda a equipe da Santa Casa e Dr. Jonas merecem todo respeito e reconhecimento, são os verdadeiros heróis desta história”, afirma.

A empresária Doraci Campideli, 66, ficou 15 dias intubada. Ela entrou no hospital dia 8 de dezembro e teve alta no dia 14 de janeiro. “São dias muito difíceis. Após 14 de janeiro tive que reaprender a caminhar, uma escara enorme com curativos diários, dores musculares pela perda de proteína, queda acentuada nos cabelos. Hoje ainda continuo com curativos diários na escara, embora já esteja bem melhor. Também tive aceleração cardíaca, ainda estou tomando medicamentos. Continuo com pequenas dores nos braços e não tenho ainda muita força. Continuo com fisioterapia duas vezes por semana”, relata.

Durante o período que esteve internada perdeu o companheiro Romão Buzolin Filho que também estava internado e intubado na Santa Casa. Logo que teve alta faleceu seu ex-marido, pai de seu filho, que também estava intubado. “Foi muito triste porque só fui informada pelo médico após 25 dias que Romão não mais pertencia ao mundo dos vivos”, conta.

A assistente social, Vaniellen Guimarães Correa de Melo Godoy, 31, ficou 41 dias na Santa Casa, sendo 27 entubada. Ela teve alta no dia 16 de fevereiro e continua em reabilitação. Esta semana ela conseguiu retornar ao trabalho, mas tem algumas dificuldades motoras no dia a dia e cansaço físico com pequenos esforços. Ela conta que ainda não consegue tomar banho sozinha, principalmente para lavar os cabelos.

“Os primeiros dias pós a alta foram bem difíceis. Eu ainda não sentia os sabores dos alimentos, não conseguia comer quase nada porque fiquei muito tempo me alimentando por sonda. Sentia muita ânsia de vômito, acredito que por conta da medicação que ainda estava tomando, muita falta de ar principalmente à noite, e muita fraqueza, as pernas, braços e mãos tremiam muito. Era difícil manusear as coisas e não conseguia andar muito. A hora do banho era a mais cansativa”, relata.

O caso de Vaniellen foi muito grave e os médicos chegaram a preparar a família para sua morte. A Covid evoluiu para uma pneumonia muito grave, depois teve uma bactéria resistente na UTI que aumentou a infecção, ficou com anemia e precisou de sague. “Graças a Deus muita gente se comoveu com a história e foi doar. A região inteira ajudou. São Pedro do Turvo e Jacarezinho cederam ônibus para levar os doadores. Por último ainda precisei de traqueostomia porque eu estava totalmente dependente dos aparelhos”, conta.

A assistente social conta que sua saída da Santa Casa foi muito emocionante, com muitos amigos e familiares a esperando. “Quando tive alta, na tomografia deu que ainda estava com uma sequela de 50%. Ainda estou me recuperando. Estou fazendo o acompanhamento com Dr. Jonas através do Centro de Especialidades Médicas, faço fisioterapia três vezes por semana para estimular os movimentos das pernas, braços e a fisioterapia respiratória para auxiliar na cicatrização do pulmão”, revela.

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