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Aumento do dólar pesa no bolso do trabalhador

Publicada dia 22/03/2021 às 11:08:04

Pedro Figueira

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Thaís Balielo


O preço do dólar alto no Brasil impacta a economia de diversas formas. Muitos podem pensar que se não vai comprar dólar, não vai viajar para o exterior o valor não faz diferença, mas a realidade é bem diferente. Até mesmo um simples pãozinho na padaria muda de preço com a cotação do dólar. Bacharel em Ciência Econômicas, Tiago Albano explica para os leitores do Atual como funciona a cotação da moeda americana e as consequências no bolso do brasileiro.

O que faz com que o dólar suba são os fatores de oferta e demanda da moeda estrangeira, ou seja, quando há muita procura pelo dólar ele tende a ter uma alta e quando essa mesma procura diminui o preço do dólar cai. “Enfatizamos que esse mecanismo de oferta e demanda é o único fator direto que faz com que a moeda tenha uma variação”, diz.

Atualmente a taxa de câmbio está em R$ 5,53 (cotação no momento da reportagem). Se comparada com a taxa apurada em dezembro de 2018, onde a cotação média estava em R$ 3,87, houve um aumento de 43,41%. “Neste momento o Banco Central do Brasil utiliza o Regime de câmbio controlado onde é estabelecida uma faixa dentro da qual a cotação pode flutuar. Neste caso, o Banco Central somente intervém no mercado quando a taxa de câmbio ameaça a romper os limites mínimos ou máximos estabelecidos”, explica.

Quanto aos motivos destas frequentes altas, Tiago aponta incerteza política e pandemia. “Quando o atual governo assumiu o País em janeiro de 2019 havia uma grande expectativa que trouxe a confiança do exterior em nossa economia. Isso atraiu mais investimento estrangeiro (que pressionou uma queda do dólar). Mas esse período de expectativas positiva durou apenas um ano e a moeda americana voltou a subir no fim de 2019. De lá para cá ela só teve tendência de alta”, aponta.

Segundo Tiago, em uma economia aberta ao comércio internacional, qualquer movimento político gera consequência no mercado internacional. “A taxa de câmbio é muito sensível à política e uma ação pode gerar desconfiança dos investidores e causar uma fuga de divisas, o que pressiona para cima a cotação da moeda americana. No Brasil o governo tem apresentado alguns pontos que colocam em dúvida a economia e isso reflete fora do País. A maneira como o governo tem lidado para combater a Covid-19, demissões de vários ministros, fala desnecessárias e inconvenientes sobre o distanciamento social, são exemplos”, cita.

O economista argumenta ainda que a pandemia é o principal motivo pela grande alta da moeda americana no período. “Quando a Covid-19 começou a dar sinais na América do Norte, Ásia e Europa rapidamente esses continentes tiveram recessões o que afetou diretamente os investimentos em países emergentes como o Brasil. Com isso, a moeda americana começa a ter alta e até agora não dá sinais de queda. Com a economia mundial ainda em recessão, países como o Brasil tendem a sofrer porque ficam muito vulneráveis aos ataques especulativos contra a moeda”, argumenta.

Os impactos do valor do dólar são inúmeros. Tiago lembrou que muitas de nossas commodities como soja, petróleo e a cana, são negociadas globalmente em dólar. “Aliados a isso, muitos produtores preferem exportar a vender no mercado interno. Com isso, temos o resultado do aumento (inflação) de diversos produtos. Alimentos derivados de trigo são exemplo como macarrão, cereais, biscoito e o pãozinho. Outro reflexo é o preço da gasolina e do diesel. Mas esse aumento não para por aí. Quando os combustíveis sobem, automaticamente impacta o transporte e como consequência o preço dos alimentos. Outro impacto óbvio são os produtos eletrônicos importados que sofrem diretamente com a alta do dólar.

Para diminuir essa escalada de aumentos no dólar Tiago aponta algumas medidas, mas acredita que a principal delas seja controlar a situação da Covid com mais compra de vacinas para acelerar a retomada das atividades econômicas. “É preciso mudar a imagem frente a outros países. Precisamos mostrar que somos um país aplicado no combate a Covid, evitar escândalos políticos e não tratar com desdém medidas de proteção a saúde. Tudo isso reflete no exterior. Ressaltando que os pontos apresentados são baseados em dados oficiais e não tem parcialidade em questões políticas partidárias”, afirma.

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