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O renascimento de uma mãe

Publicada dia 22/07/2020 às 13:38:15

Arquivo Pessoal

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Diego Singolani


No último dia 22 de junho, às 11h10, nasceu no Hospital Regional de Assis, com 1,620 Kg e 40 cm, a pequena Mirela Gomes Pilizardo - a bebê “arco-íris”. A chegada de Mirela, exatamente nesta data, carrega um significado especial para sua mãe, a psicóloga Sueli Kelly Gomes Pilizardo. Nove meses antes, em 22 de setembro de 2019, ela perdia o então filho único Wesley Gabriel Batista, 20, em um trágico atropelamento em Santa Cruz do Rio Pardo, que ainda matou outras duas jovens. Desde então, a cada novo dia 22, mês após mês, a angústia tomava conta de Sueli. Agora, porém, graças ao que ela define como “propósito divino”, tudo mudou. Mirela trouxe de volta as cores que seus dias haviam perdido.

Mirela nasceu após uma gestação de 8 meses que transcorria de maneira tranquila para Sueli e seu esposo, Pablo Pilizardo. O casal aproveitava cada momento, cada fase. Porém, com 28 semanas de gravidez, a psicóloga descobriu que sua placenta havia amadurecido muito rápido, o que prejudicava o envio de nutrientes e oxigênio para o bebê. A partir de então, o acompanhamento médico se intensificou. “Os últimos seis ultrassons apontaram má formação fetal, sendo que antes estava tudo ok. Imediatamente, entramos em oração, eu meu esposo, a igreja em que eu congrego, familiares e amigos, e várias outras igrejas de Ourinhos, Curitiba, Suzano, Santa Catarina, Marília, Santa Cruz do Rio Pardo, Barra Bonita e amigos do trabalho e seus cônjuges. Oramos para que Deus operasse e mudasse o decreto médico”, conta Sueli.

De acordo com a mãe, o parto de Mirela foi um misto de ansiedade, tensão e medo. “Meu marido não pôde acompanhar, devido à Covid-19. Eu fui para Assis para uma consulta. Fui atendida às 8h e fiquei internada, pois o bebê estava em sofrimento. O parto foi marcado para as 10h”, relembra a psicóloga. “Eu sabia que minha bebê era pequena e eu estava com 35 semanas, então fiquei bem tensa. Durante o parto, orei o tempo todo. A enfermeira que acompanhou o caso estava lá comigo e, assim que a Mirela nasceu, ela já me falou: ‘mãe, sua filha é perfeita’, e me mostrou a minha princesa, meu bebê arco-íris”, revela, emocionada. Apenas para ganhar mais peso, Mirela segue no hospital em Assis, acompanhada de perto pela família. Ela não precisou usar respirador e nasceu com ótima saúde. 

O fato de Mirela vir ao mundo no dia 22 de junho, exatamente nove meses depois da perda de seu primogênito, é interpretado por Sueli como uma providência divina para minimizar sua dor. “Ela foi um lindo presente de Deus para mim, não para substituir o meu filho, mas para trazer ao meu coração de volta a alegria. Deus sabe os pensamentos que tem a nosso respeito. São pensamentos de paz e não de mau. Todo dia 22, para mim, era um dia muito sofrido. E que pai gosta de ver seus filhos sofrerem?”, disse Sueli.  “Hoje eu me sinto feliz novamente, com meu coração cheio de amor, terei novamente uma filha para me chamar de mãe, posso abraça-la, beija-la e amá-la. Não tem como descrever, mensurar a alegria de um coração cheio de amor. Em suma, o amor de Deus nos constrange, aprouve ao Senhor recolher o Wesley e levá-lo para a Glória, para um dia nos reencontraremos. E Deus, como conhece nossa estrutura, e até onde podemos suportar, me enviou a Mirela, para que eu tornasse a viver”.

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