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Amor em dose tripla

Publicada dia 06/07/2020 às 10:37:26

Arquivo Pessoal

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Diego Singolani


Para a maioria dos casais, a chegada do primeiro filho é um misto de felicidade, ansiedade e, claro, um pouco de insegurança. Imagine, então, para os marinheiros de primeira viagem que, logo de cara, experimentam todos esses sentimentos multiplicados por três. Pois é, as gestações múltiplas, que são aquelas que contêm dois ou mais fetos simultaneamente, são eventos bastante raros, sobretudo as de trigêmeos. Em Santa Cruz do Rio Pardo, uma funcionária pública e um atleta profissional de futebol fizeram um belo hatch trick - trocadilho infame - e, com o apoio de familiares, estão encarando muito bem o desafio.

Nathalia Scarmen Simão Fernandes e Diego Marcelo Camargo Fernandes se conheceram em 2018. Diego jogava em um time carioca na época e, como havia acabado o campeonato, estava de férias em Santa Cruz, visitando sua família. “Foi quando nos conhecemos através de uma amiga em comum”, conta Nathalia. Hoje, eles são pais das bebês Alice, Betina e Cecília, trigêmeas, nascidas em abril. Nathalia revela que a descoberta da gravidez múltipla em sua primeira gestação foi uma grande surpresa. “Minha menstruação estava atrasada 20 dias, foi quando fiz o exame de sangue e o resultado foi muito alto. Os valores de referência enquadravam como se estivesse no terceiro mês”, disse. Nathalia achou que o exame pudesse estar errado e foi até o laboratório. A atendente lhe informou que poderia ser um caso de gestação de gêmeos. “Nesse mesmo dia fiz um exame de farmácia e também deu positivo. Na segunda-feira, a secretária do meu ginecologista conseguiu um encaixe para eu fazer um ultrassom e já nos primeiros segundos de exame o médico me informou que seriam trigêmeos. Foi um misto de susto, ansiedade e expectativa também, nunca imaginei que fossem trigêmeos. Após contar para o Diego, ele me acalmou”, afirmou a funcionária pública.

Historicamente, as gestações gemelares correspondiam por cerca de 1% do total de gestações. Atualmente, com o aumento do uso de técnicas de reprodução assistida, é possível observar taxas maiores que 3% em algumas regiões do mundo, inclusive no Brasil.

Por ser uma gestação trigemelar de alto risco, Nathalia não pôde fazer exercícios com impacto, guardou repouso e restringiu o consumo de alguns alimentos. Ao se aproximar o momento do parto, ela fazia ultrassons semanais. “Na manhã do dia 10 de abril (sexta-feira), após um ultrassom, Dr. Olivio Tosi, meu médico, agendou a cesárea para a próxima quarta-feira. Porém, na madrugada do dia 11 de abril, às 2h, uma das bolsas estourou. Fui para o hospital e às 4h55 aconteceu o parto da Alice, seguida por Betina e Cecília”.

O casal diz que tudo é muito novo, mas ao mesmo tempo dentro do esperado. “Elas são calmas, então conseguimos dividir todos os afazeres. Para o banho, as três ficam juntas, tomam as vitaminas e levo uma por vez para a banheira para que o Diego dê banho. Enquanto isso, vou trocando a roupa da outra, um rodízio mesmo. A mesma coisa com alimentação, já que são 24 mamadeiras por dia. Mas também temos uma ampla rede de apoio, com familiares que nos ajudam sempre”, afirma Nathalia.

É evidente que a maior dificuldade é a parte financeira, já que todos os gastos são triplicados, como fórmula infantil, fraldas, plano de saúde, roupas, entre outros. Porém, segundo Nathalia, é indescritível e incomensurável o amor e a felicidade que as garotas trouxeram às suas vidas. “Recebemos três bênçãos e só temos a agradecer!”, disse.

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