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Páscoa à mesa: conheça as comidas pascalinas de outros países

Publicada dia 11/04/2020 às 11:15:52

Ilustração

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da Redação


Diversos países estão, assim como o Brasil, celebrando a Páscoa nessa época do ano. São diferentes os significados míticos e religiosos que envolvem a data em cada nação e com eles, também variam as tradições e restrições para a comemoração. “Por ser uma data ligada à ideia de renovação da natureza e de vida nova, a celebração da Páscoa é fundamentada na comida”, conta Ricardo Maranhão, coordenador do Centro de Pesquisas em Gastronomia Brasileira da Universidade Anhembi Morumbi.

Reza a lenda que, originalmente, egípcios, gregos e romanos tinham a Páscoa como a festa de passagem do inverno para a primavera que trazia com ela o bom tempo, a abundância das colheitas e a fartura à mesa. Já para os judeus o Pessach, que significa passagem, simboliza a fuga do Egito em busca da terra prometida, em busca da liberdade. Com o surgimento do cristianismo, algumas nações acabaram incorporando elementos da tanto da tradição pré-cristã, quanto do judaísmo. “A ideia da passagem continua, só que desta vez associada a Cristo que vai de humano à divindade”, explica Maranhão. E todas as mudanças impactaram nos hábitos alimentares.

Tradições à mesa

Originalmente, come-se peixe durante a semana que antecede a Páscoa em sinal de sacrifício. Já no domingo, é mais comum o consumo de carne de porco. “Mais recentemente, em países como Brasil e Portugal, começou-se a comer peixe também no domingo. O consumo de bacalhau é uma atualização”, diz. O uso do peixe se tornou muito comum por seu sabor marcante. “Com um pedaço pequeno é possível fazer uma refeição farta usando outros produtos mais baratos, como batata e couve”, anota Maranhão. Entre os europeus, árabes e judeus, há o costume de comer cordeiro no domingo de Páscoa. “Esse hábito é carregado de referências cristãs. O cordeiro simboliza o próprio Cristo e também os sacrifícios que eram feitos com o que eram feitos com o animal”, explica Sandro Dias, professor de história da gastronomia do Centro Universitário Senac.

O ovo de Páscoa, presente nas comemorações em diversos países, remete à fartura e à prosperidade, à vida que se renova. “Desde o século 18 na França, há uma tradição de limpar o conteúdo dos ovos de galinha e recheá-los com chocolate”, diz o professor. “O coelho, que também remete à fertilidade, acabou virando símbolo de abundância na Páscoa”, acrescenta.

Confira a seguir os principais alimentos servidos na Páscoa em diferentes países:

 Alemanha

Na Alemanha a Páscoa coincide com a chegada da estação das flores. A palavra “ostern” (páscoa, em alemão) vem de “ostara”, deusa germânica da primavera. Além de ovos de chocolate, os alemães celebram a data com ovos de galinha, que representam a renovação. Eles são cozidos e depois pintados à mão pelas crianças. No domingo de Páscoa as estrelas são as osterzopf, roscas que podem ser servidas com ovos cozidos, e a osterlamm, uma massa em forma de cordeirinho.

Itália

Os italianos deixam de comer carne durante toda a quaresma, que começa depois do carnaval e vai até domingo de Páscoa. Eles não têm o hábito de comer bacalhau na Sexta-Feira Santa. Neste dia, o prato principal é peixe ou a torta pascalina, feita no forno com alcachofras (muitos usam espinafre ou escarola), arroz e ovos. “No domingo, há quase sempre cordeiro – que tem a ver com a história do agnus dei, ou ‘cordeiro de deus’ –, costume herdado da Páscoa judaica que simboliza a ressurreição”, diz o chef Giancarlo Bolla, do La Tambouille, de São Paulo. “Além dos ovos de chocolate, outro doce tradicional é a colomba pascal, feita com uma massa parecida com o panetone, e que leva frutas, nozes e amêndoas.”

França

Assim como na Itália, o costume de comer cordeiro no domingo de Páscoa é bastante comum na França. Há também o gateau de paques, um bolo assado em forma de cordeiro, que também simboliza Jesus. No entanto, o chef Emmanuel Bassoleil, do Skye, de São Paulo, diz que não há um prato típico para a data. “Entre os franceses, a Páscoa é uma comemoração mais focada na família”, afirma. “No domingo de Páscoa, as pessoas cozinham ovos, pintam suas cascas e os escondem no jardim, como se o coelhinho tivesse passado. E as crianças ganham muitos chocolates.”

Líbano

Não há celebração de Páscoa no Líbano sem o maamoul, um bolinho feito com massa de semolina, água de rosas e de flor de laranjeira que pode ser recheado com nozes, pistache ou tâmaras. “As donas de casa preparam e dão de presente nesta época do ano”, diz Helen Edde, uma das sócias do restaurante Balila, de São Paulo. O formato do doce, semelhante a uma esponja, representa a esponja com vinagre entregue a Jesus durante a crucificação. A parte de fora, sem açúcar, representa a morte de Cristo. Já o recheio, que é doce, remete à ressurreição. Os maamouls são preparados na Sexta-Feira Santa, assados no sábado e saboreados no domingo, dia em que se prepara também um carneiro, assado por sete horas.

Peru

Os peruanos seguem a tradição católica que veio com os espanhóis e costumam comer bacalhau – servido desfiado, com grão de bico – ou o pescado sudado, peixe de água salgada feito no vapor. Os frutos do mar também têm destaque na mesa durante a Páscoa. “É comum preparar pratos como arroz com mariscos, ceviche e caldeirada”, conta a peruana Veronica Goyzueta, vice-presidente da associação dos correspondentes estrangeiros no Brasil. “A sobremesa pode ser um suspiro limeño – doce de leite com merengue por cima e um toque de vinho do porto polvilhado com canela em pó – ou um mingau feito com milho roxo conhecido no Peru como mazamorra morada”.

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